<$BlogRSDUrl$>

29.9.05

william wegan

Esperar por ti será sempre o tempo mais comprido que existe!




26.9.05

Tecido reversível
Num passeio ao fim de tarde, quando, como quem pensa alto, passo em revista alguns dos dias passados, gesticulo em compreensível aprovação e desaprovação de mim própria e ouço-me dizer: “nos afectos sou a pessoa menos prática do mundo”.
Tento, juro que tento, abrir os olhos às (supostas) transparentes profundezas abaixo desta (suposta) superfície confusa. Mas, afinal, qual é o meu avesso?
Qual é o avesso deste tecido que penetra na pele?
Qual é o avesso do vestido que uso?

21.9.05

Mark Ryden
Diabruras
Suspeito que deve haver um grupo de disfarçados cupidos à solta, que não são mais do que gordos e despenados diabinhos a quem o Demónio manda executar diabólicas travessuras para testar a nossa resistência. Quando assim é, isto sempre anima um pouco.

Gostar é uma coisa muito subjectiva!
Diz-me o calendário que o conheci apenas por escassos dias, mas há afeições intensas que desenvolvem a sua própria duração interna, a luminosidade de um tempo transparente, independentemente do ritmo e da rota que escolhemos.
E quando assim é, há que considerar mais a cadência do que a voz, mais a multiplicidade dos sentidos do que a clareza das frases, mais a ressonância do que o som.
O que nem sempre acontece! O que nem sempre consigo!

16.9.05


Bob Carlos Clarke

A forma física da palavra
Ao longo da vida, de uma maneira ou de outra, guio-me pelo ritmo das palavras que traçam o meu poema e caminho pelas suas rimas na deliciosa expectativa de dobrar as esquinas dos enlaces. Inspiro pausadamente enquanto deslizo de verso em verso, até ao reaparecimento no horizonte do almejado canto. E assim, saio e entro para um outro itinerário do pensamento.
Mas, por vezes, quando suspeito que a vulgaridade se esconde entre as palavras, permaneço encolhida no pé da página, sem a coragem necessária para atravessar graciosamente a rua da epopeia.

Que alguém nos valha!

Disseram coisas, mas não me disseram grande coisa. Já desconfiava!
Entramos na recta final da campanha eleitoral e nos derradeiros pareceres dos candidatos. Não me é possível verificar quer as afirmações quer os cálculos apresentados, mas é do conhecimento geral que temos o nosso futuro a crédito. Toda a gente o disse, gente que sabe.
Bem sei, devo confiar! Mas não me fio! Talvez esteja apenas cansada de tudo isto. Tenho a sensação, nada divertida, de ser uma peça das pretas que um autor de problemas de xadrez poderia chamar de “peão encurralado”.
Não pude deixar de pensar em que circunstâncias poderia o resultado deste jogo de cartas não provocar mais lágrimas, mas creio que não há limites à graça que um povo pode receber.
Cada um fala na sua versão da verdade. Julgava eu que só existia uma versão da verdade por ser ela mesma a própria da verdade. Enganei-me! Como outros políticos antes destes, parecem ter caído sob o feitiço da euforia enganadora.
E ainda há quem lhes beba à saúde! A quem nos lixa a saúde. Era aqui que a vassourada deveria começar!

14.9.05


Gary Woods

Sombra ou a interrupção da luz?
Não posso afirmar, mas a nossa sombra contínua andar sem nós.

13.9.05

Onde está a estrela que seguimos até à manjedoura?

“Estou desorientado/a”, é uma daquelas expressões que utilizamos sem nos importarmos muito com o peso da desorientação que a própria palavra carrega.
Vejamos. Desorientação significa a perda do Oriente. E o Oriente orienta. É em relação ao Oriente que se navega. Pelo menos esta é a versão oficial.
Perder o Oriente é perder as certezas, as coordenadas, o conhecimento daquilo que é e do que pode vir a ser, e talvez a própria vida.
Numa palavra, desatinado. Por palavras simples, desvairado e maníaco.
A propósito, é curioso notar como é inferior o peso que o desnorteado carrega em comparação com o seu vizinho desorientado. Perder o Norte é perder-se temporariamente no espaço e no tempo, nada que um mapa ou a indulgência de um amigo não resolva.
Numa palavra, estouvado. Em palavras simples, imprudente e doidivanas.
Será ajustado supor que o reencontro com o Norte é mais fácil do que abraçar o Oriente?

De qualquer modo, o melhor é voltar para casa, ao fim e ao cabo...a rua é malvada.

9.9.05

Ofelia Rodriguez

SMS - Manuscrito de um poema

Usam-se as palavras de uma língua aprendida, enfeitadas com um duplo sentido, traiçoeiras pelas sucessivas mudanças de forma, mas sempre repletas de significado.

São borrões soltos dos quais nenhum exibe o texto definitivo e haverá sempre um verso em falta, uma leitura hesitante que podia ser eu, tu ou esta estranha mistura.

Não gosto deste jogo de palavras, de um texto que nunca chega a ser texto, da inexistência de um romance, onde os gestos, os tiques e os toques, os cheiros e os sorrisos colhidos pelo olhar, não percorrem os espaços e os tempos enredados e acumulados, como eles ou nós próprios.

Será que as inventamos?
Será que realmente as construímos?
Só sei que, nesta música rotativa e maliciosa, perdem-se pormenores tão caros!

Decididamente, a minha paixão nunca será um fenómeno auditivo, mas um capricho visual.

Estranho, quando a vida não é mais do que uma mensagem escrevinhada às escuras, não acham?


This page is powered by Blogger. Isn't yours?