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31.3.04

Depois...


George Blacklock

É no cós da minha cintura
que essas mãos escorregam
Quando apressada visto o teu corpo.

É na costura macia do teu colo
Que uno os pontos um por um
Quando toda a minha pressa é pouca.

É nos dedos habitados pela pele
Que eu navego sem vergonha
Quando sem pressa rebenta a onda.

É no abraço da vontade suspensa
Que ponto e remate se acomodam
Quando o silêncio nos toma ... muito depois...


15.3.04


Earl H Brewster

Por vezes,
As palavras não passam de uma máquina fotográfica e as palavras curiosas, como as fotos, nem sempre resultam numa boa imagem.
Talvez, o melhor seja observar, uma acção como acto de respeito.


10.3.04

Post-it



Nestes dias grandes como montanhas
O tempo escapa-me por entre os dedos
E as palavras ancoradas no espaço do nada
Naufragam cansadas na dimensão dos segredos.

Neste tempo de ponteiros desencontrados
Os dias ganham a distância de longas fronteiras
E as palavras sem pedaços de sons paralelos
Entornam-se descuidadas em linhas rasteiras.

Nestes dias de inventar outras paisagens
O tempo arrasta as palavras cortadas a meio
Mas no intervalo de um ou outro momento
Chamo-vos pela janela por onde vos leio.

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