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16.2.04

Hoje
As palavras batem contra os muros do corpo.
Esperem um pouco. Eu regresso.

13.2.04

Partida


Donald Baechler

em tempos fomos iguais
iguais em um momento
de um tempo que já passou.

talvez eu me engane
como tantas outras me enganei
mas por muito que estranhe
derramo no esquecimento
o engano que antes me capturou.

perdi a conta das saudades
da tristeza sempre presente
de um tempo que já passou.

querendo-me proteger de ti
pouco a pouco me entregava
e para que nada se partisse
na louca tormenta me segurava
a uma mão que não me agarrou.

um tempo que amansa
uma saudade que descansa
de um momento que passou.

10.2.04

Desconexo


Franco Donaggio

A chuva abrandou enquanto desenhas riscos sem nexo na humidade da janela. Não há mais esperança, essa coisa que escorrega quando menos se espera, mas que não apaga a mancha das lágrimas que fazem chorar a vida. Voltas a pintar as tuas perspectivas e analisas as tuas ideias curiosas. Imaginas as experiências que gostarias de ter em composições pedantes, por vezes insípidas ou demasiado pesadas, mas por outro lado, são extraordinariamente honestas e atraentes como os capítulos da autobiografia de um santo.
A chuva abrandou, mas as lágrimas não esmorecem, encobrem a alma como um manto da cor das trevas em dias de irosa tempestade, enquanto pequenas estrelas tremem na noite e as ondas lambem as nuvens, na angústia da sua intransponível lonjura. Aqueles que se deixam flutuar nos barcos não conseguem desfiar o tempo e voltar atrás sempre que querem, porque são os outros, os que se afundaram, os únicos sobreviventes das madrugadas da memória.
A chuva abrandou, mas nem sempre deslumbramos o sol que nos cega e no secreto silêncio dos corpos, apenas uma saudade que já foi sua.
A chuva abrandou, mas nem sempre os homens estão à altura da maldade que fazem.


9.2.04

Disposição


David Levinthal

A fome ponho
No apetite posto.
A vontade deponho
No sexo predisposto.
Em ti me decomponho
Aquando do remate suposto.

3.2.04

Prioridades

O meu presente está preso numa “história cheia de passado”, num arranjo para que múltiplas entidades sejam uma canção, um coro único, uma voz no plural.
Cheguei aquele momento em que tudo tem que avançar, já não se pode vacilar nas decisões, já não se pode repensar tudo outra vez, e como uma bola de borracha, salto de um canto para outro.
O som já se ouve, cresce, enche e torna-se excitante. Aproxima-se a altura de cantar e esta é a minha prioridade. Voltarei depois de me recompor.

BOA NOITE SOLIDÃO
Homenagem a Fernando Maurício
Coliseu dos Recreios
5 de Fevereiro, 21.30h

Artistas: Carlos do Carmo, Argentina Santos, Dulce Pontes, Jorge Fernando, Maria da Fé, Alexandra, Ana Moura, Kátia Guerreiro, Joana Amendoeira, Pedro Moutinho, Marina Mota, Maria Armanda, Lenita Gentil, Natalino Jesus, António Rocha, Patrícia Rodrigues, Gonçalo Salgueiro, Marco Rodrigues, Raquel Tavares, Ricardo Ribeiro, José Manuel Barreto, Ana Maurício, Jaime Dias, Catarina Rosa, Diogo Rocha, Kátia Santos, Nelson Duarte, Paulo Jorge, Pedro Galveias, Rosita, Vitor Miranda, Vitor Ramalho, Manuela Ramalho, José Neves e Fernando Cunha.

Guitarras: Ricardo Rocha, Paulo Parreira, Ricardo Parreira, Paulo Valentim, Filipe Lucas, Paulo Jorge, Guilherme Banza e Pedro Amendoeira.
Violas: José Maria Nóbrega, Luís Pontes, José Elmiro, Diogo Clemente e Pedro Pinhal.
Baixos: Marino Freitas e Filipe Larson.
Violino: António Barbosa
Violoncelos: Tiago Ribeiro e Davide Zaccaria
Contrabaixos: João Penedo e Rodrigo Serrão

Concepção musical: Jorge Fernando

Participação especial
António Macedo (locução)
Mariza (depoimento gravado)

As receitas deste espectáculo revertem na sua totalidade para a família do fadista Fernando Maurício.

Quem foi Fernando Maurício
“O fado é o meu bairro”, repetia vezes sem conta Fernando Maurício, quando alguém o tentava puxar para as luzes da ribalta. Um dos maiores nomes do fado castiço, que marcou e ainda influência gerações de fadistas.
De grande anel de ouro no dedo e um ar malandro, Fernando Maurício, intensificava a melodia de qualquer fado, quando de olhos fechados, o arrancava da sua garganta. Um grande homem, um grande fadista, um grande nome do fado.
Boa Noite Solidão, é a homenagem merecida, é o agradecimento.
Silêncio, que se vai cantar o fado.



2.2.04

Ora não me lixem,
O sporting jogou bem e a vitória era mais do que merecida. Zangam-se as comadres, mas reponham-se as verdades. (Ponto final irritado)

Ora vão se lixar,
Os senhores dirigentes, treinadores, árbitros e alguns futebolistas que ainda não perceberam que a cada fim de semana arruinam a imagem do futebol português e são um triste exemplo para todos os jovens futebolistas e desportistas. (ponto final indignado)

Ora que nos lixam
O estádio, se os acessos às portas não forem revistos. Uma hora e quinze minutos em fila para ser “apalpada” por uma senhora já é mais do que suficiente para andar à trolha com qualquer criatura que fale mal do meu clube. Imaginem as selecções a confraternizar. (ponto final preocupado)

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