30.1.04
28.1.04
Grafismo I
É no silêncio da minha fala
Que te insinuas.
É na conversa do meu corpo
Que te declaras.
É na pressa dos meus dedos
Que te atravessas.
É na brancura da minha pela
Que me inventas.
É na nudez da minha alma
Que me disputas.
O recontro na raiz do descenso.
George Grosz
Grafismo II
I
Se me calo, ouço-te a voz.
Se te escuto, invento-te a fala.
Se me foges, persigo-te os passos.
Se me caças, liberto-te do silêncio.
II
Porque ninguém me preveniu
Que esta sina afadigaria
Porque ninguém me advertiu
Que só o ardor a evidência.
III
Não quero esta prisão
Que me liberta e executa
Não quero nada inventar
Que impeça o meu realizar.
IV
Que vos dizer do contraditório gemido
Desta fala de angústia e de vontade
A não ser que me queda a boca seca
No desassossego em mim hospedado.
É no silêncio da minha fala
Que te insinuas.
É na conversa do meu corpo
Que te declaras.
É na pressa dos meus dedos
Que te atravessas.
É na brancura da minha pela
Que me inventas.
É na nudez da minha alma
Que me disputas.
O recontro na raiz do descenso.
George Grosz
Grafismo II
I
Se me calo, ouço-te a voz.
Se te escuto, invento-te a fala.
Se me foges, persigo-te os passos.
Se me caças, liberto-te do silêncio.
II
Porque ninguém me preveniu
Que esta sina afadigaria
Porque ninguém me advertiu
Que só o ardor a evidência.
III
Não quero esta prisão
Que me liberta e executa
Não quero nada inventar
Que impeça o meu realizar.
IV
Que vos dizer do contraditório gemido
Desta fala de angústia e de vontade
A não ser que me queda a boca seca
No desassossego em mim hospedado.
É a blogosfera uma aparente realidade ou uma virtual aparência daquilo que somos?
Realidade e virtual, duas coisas distintas?
Ou duas faces distintas de uma mesma coisa?
Ou só duas palavras no lugar de uma?...
In ouro sobre azul
E agora realidade?
...A virtualidade sentimental é um poço vazio...
...é tão fácil enganar o outro com o nosso próprio engano...
in escrita ibérica
Realidade e virtual, duas coisas distintas?
Ou duas faces distintas de uma mesma coisa?
Ou só duas palavras no lugar de uma?...
In ouro sobre azul
E agora realidade?
...A virtualidade sentimental é um poço vazio...
...é tão fácil enganar o outro com o nosso próprio engano...
in escrita ibérica
27.1.04
Porque se escreve
“Escrever é defender a solidão em que se está; é uma acção que brota somente de um isolamento afectivo, mas de um isolamento comunicável, em que, exactamente, pela distância de todas as coisas concretas, se torna possível um descobrimento de relações entre elas.
Mas é uma solidão que necessita de ser defendida, que é o mesmo que necessitar de justificação. O escritor defende a sua solidão, mostrando o que nela e unicamente nela, encontra.
Se há um falar, porquê o escrever?
Mas o imediato, o que brota da nossa espontaneidade, é algo pelo qual inteiramente não nos fazemos responsáveis, porque não brota da totalidade íntegra da nossa pessoa; é uma reacção sempre urgente, premente. Falamos porque algo nos compele e a ordem que nos é dada vem de fora, de uma armadilha em que as circunstâncias pretendem caçar-nos, e a palavra livra-nos dela. Pela palavra tornamo-nos livres, livres do momento, da circunstância assediante e instantânea. Mas a palavra não nos recolhe, nem, portanto, nos cria e, pelo contrário, o muito uso que dela fazemos produz sempre uma desagregação; vencemos pela palavra o momento e depois somos vencidos por ele, pela sucessão dos momentos que vão levando consigo o nosso ataque sem nos deixar responder. É uma contínua vitória que, por fim, se converte em derrota.
E dessa derrota, derrota íntima, humana, não de um homem particular, mas do ser humano, nasce a exigência de escrever.
Escreve-se para reconquistar a derrota sofrida sempre que falámos longamente.”
María Zambrano (1904-1991)
A Metáfora do Coração (e outros escritos)
(Tradução José Bento)
“Escrever é defender a solidão em que se está; é uma acção que brota somente de um isolamento afectivo, mas de um isolamento comunicável, em que, exactamente, pela distância de todas as coisas concretas, se torna possível um descobrimento de relações entre elas.
Mas é uma solidão que necessita de ser defendida, que é o mesmo que necessitar de justificação. O escritor defende a sua solidão, mostrando o que nela e unicamente nela, encontra.
Se há um falar, porquê o escrever?
Mas o imediato, o que brota da nossa espontaneidade, é algo pelo qual inteiramente não nos fazemos responsáveis, porque não brota da totalidade íntegra da nossa pessoa; é uma reacção sempre urgente, premente. Falamos porque algo nos compele e a ordem que nos é dada vem de fora, de uma armadilha em que as circunstâncias pretendem caçar-nos, e a palavra livra-nos dela. Pela palavra tornamo-nos livres, livres do momento, da circunstância assediante e instantânea. Mas a palavra não nos recolhe, nem, portanto, nos cria e, pelo contrário, o muito uso que dela fazemos produz sempre uma desagregação; vencemos pela palavra o momento e depois somos vencidos por ele, pela sucessão dos momentos que vão levando consigo o nosso ataque sem nos deixar responder. É uma contínua vitória que, por fim, se converte em derrota.
E dessa derrota, derrota íntima, humana, não de um homem particular, mas do ser humano, nasce a exigência de escrever.
Escreve-se para reconquistar a derrota sofrida sempre que falámos longamente.”
María Zambrano (1904-1991)
A Metáfora do Coração (e outros escritos)
(Tradução José Bento)
26.1.04
O menino
Christian Cravo
os joelhos espalmados na calçada
arrastam o pesado fardo da penúria
e nos olhos marejados da tua raça
mostras os remendos da injúria
as mãos caiadas de esperança
esticam-se à mercê de quem passa
e em cada tilintar que mata a memória
dobras-te com a tristeza da vida lassa
deslembras o que é ser menino
na sujidade infame do escorraçar
um sonho desgrenhado pelo infortúnio
o desprezo nosso ao cigano a mendigar
Christian Cravo
os joelhos espalmados na calçada
arrastam o pesado fardo da penúria
e nos olhos marejados da tua raça
mostras os remendos da injúria
as mãos caiadas de esperança
esticam-se à mercê de quem passa
e em cada tilintar que mata a memória
dobras-te com a tristeza da vida lassa
deslembras o que é ser menino
na sujidade infame do escorraçar
um sonho desgrenhado pelo infortúnio
o desprezo nosso ao cigano a mendigar
22.1.04
A rendição
Lynn Hershman
Agarras-me aos punhados
Mãos cheias do meu sonho imerso
Tomas tudo o que tenho em mim
Invadindo sulco a sulco o meu avesso.
Agarras-me aos punhados
O corpo naufragado perde a sua raiz
E nos dedos que rasgam a pele húmida
Colhes os líquidos segredos de mis.
Lynn Hershman
Agarras-me aos punhados
Mãos cheias do meu sonho imerso
Tomas tudo o que tenho em mim
Invadindo sulco a sulco o meu avesso.
Agarras-me aos punhados
O corpo naufragado perde a sua raiz
E nos dedos que rasgam a pele húmida
Colhes os líquidos segredos de mis.
21.1.04
A noite
Emil Nolde
Perco-me no encontro da tua noite
Com a cegueira da ausência sentida
E nesse teu cheiro que me afaga o corpo
Afogo a vontade no acerto da vida.
Esta febre não tem freio nem escapatória
A tormenta de um fogo que não dá descanso
E no rasto de mais uma madrugada da memória
As mãos misturadas com o rosto do desejo manso.
Emil Nolde
Perco-me no encontro da tua noite
Com a cegueira da ausência sentida
E nesse teu cheiro que me afaga o corpo
Afogo a vontade no acerto da vida.
Esta febre não tem freio nem escapatória
A tormenta de um fogo que não dá descanso
E no rasto de mais uma madrugada da memória
As mãos misturadas com o rosto do desejo manso.
18.1.04
Melodia do silêncio
Donald Baechler
Se eu vos pudesse contar
Tudo o que não me atrevo a falar
Mas não devo dizer o que quero
E afogo-me no que tenho que calar
É nesta melodia do silêncio
Que sem eu querer me entristece
Escuto o soluçado ruído das coisas
E sinto que qualquer coisa apodrece
Atravessa-me o vestido de pele
Estas cansadas palavras nuas
Lembram de mim sem eu querer
As marcas cravadas como puas
Não corre apressado este tempo
Mas isso que me importa
Sem mais para vos dizer ou falar
Encosto-me no abrigo desta porta.
Donald Baechler
Se eu vos pudesse contar
Tudo o que não me atrevo a falar
Mas não devo dizer o que quero
E afogo-me no que tenho que calar
É nesta melodia do silêncio
Que sem eu querer me entristece
Escuto o soluçado ruído das coisas
E sinto que qualquer coisa apodrece
Atravessa-me o vestido de pele
Estas cansadas palavras nuas
Lembram de mim sem eu querer
As marcas cravadas como puas
Não corre apressado este tempo
Mas isso que me importa
Sem mais para vos dizer ou falar
Encosto-me no abrigo desta porta.
15.1.04
Gosto de Gostar
Karl Schmidt-Rottluff
Abrem-se os lábios ansiosos
E os braços abertos apertam o ar
Nesta espera de um tempo novo
Sem o meu gosto se revelar
Na carne das minhas palavras
Há a demora de um sinal ardente
Palpita o sangue da minha memória
e nada me desperta genuinamente
Tem dois mandos este meu corpo
Um ordena o passo embaraçado
O outro, que ande para a frente
Com o gosto do coração escaldado
Com nenhuma voz me contento
E no intimo alvoroço nada amolece
Nesta mágoa de desejar em vão
O domínio de todo o amor me apetece
Peço hoje, para este meu corpo
Os ímpetos do amor , os impulsos do desejo
Que me chegue outra vontade, outro sabor
Ser toda, ser inteira, este é o meu ensejo.
Karl Schmidt-Rottluff
Abrem-se os lábios ansiosos
E os braços abertos apertam o ar
Nesta espera de um tempo novo
Sem o meu gosto se revelar
Na carne das minhas palavras
Há a demora de um sinal ardente
Palpita o sangue da minha memória
e nada me desperta genuinamente
Tem dois mandos este meu corpo
Um ordena o passo embaraçado
O outro, que ande para a frente
Com o gosto do coração escaldado
Com nenhuma voz me contento
E no intimo alvoroço nada amolece
Nesta mágoa de desejar em vão
O domínio de todo o amor me apetece
Peço hoje, para este meu corpo
Os ímpetos do amor , os impulsos do desejo
Que me chegue outra vontade, outro sabor
Ser toda, ser inteira, este é o meu ensejo.
14.1.04
Sem título
Beatrice Helg
As palavras de amor
Na febre desatada dos teus dedos
Ganham a dimensão da escrita
No papel que é a minha pele
Entranças o desejo
Nas linhas feitas de saliva
E na exactidão de um ponto
O incêndio de uma suplica minha
Ensinas-me os passos seguintes
Verso a verso daquilo que sou
E no epílogo das frases finais
Rasgas-me a poesia da tentação
Beatrice Helg
As palavras de amor
Na febre desatada dos teus dedos
Ganham a dimensão da escrita
No papel que é a minha pele
Entranças o desejo
Nas linhas feitas de saliva
E na exactidão de um ponto
O incêndio de uma suplica minha
Ensinas-me os passos seguintes
Verso a verso daquilo que sou
E no epílogo das frases finais
Rasgas-me a poesia da tentação
13.1.04
Exactamente nua
Andrey Smirnov
Carrego o ardor do deserto na boca
na vida que preenche a realidade que invento
Arrasto a sede do corpo curvo e apertado
no passo demorado da imaginação que se alonga
No perfil dos lábios o ardor das palavras
Desafia os atrasos da passagem do tempo
Espreguiço-me de tão pouca vontade
Na vontade de poder voltar atrás sempre que quero
Andrey Smirnov
Carrego o ardor do deserto na boca
na vida que preenche a realidade que invento
Arrasto a sede do corpo curvo e apertado
no passo demorado da imaginação que se alonga
No perfil dos lábios o ardor das palavras
Desafia os atrasos da passagem do tempo
Espreguiço-me de tão pouca vontade
Na vontade de poder voltar atrás sempre que quero
12.1.04
Pedro Palma
Viajante
caminhos
atalhos
reentrâncias
vagueio pelo teu corpo
vontade muda e incoerente
caminhos
atalhos
reentrâncias
sorvo-te o hálito e a temperatura
que queima a chama quente
caminhos
atalhos
reentrâncias
na eternidade do espaço sem fim
a chuva, atrevida, se desprende
9.1.04
Tapa-me
Se te penso
Há qualquer coisa que me empurra
Se desatas o abraço
Verás que não posso abandonar-te
Vem, vem depressa
Acerca-me o beijo da saudade
Antes que amanheça
No tempo exacto de ser tua
Apressa-te
Tenho a vontade nua
Se te penso
Há qualquer coisa que me empurra
Se desatas o abraço
Verás que não posso abandonar-te
Vem, vem depressa
Acerca-me o beijo da saudade
Antes que amanheça
No tempo exacto de ser tua
Apressa-te
Tenho a vontade nua
8.1.04
Jogo de nuvens cinzentas
Ai, meu país que o teu tecido não é transparente e limpo. É feito de interesses, de cobiça, de mentiras, de ciúme, de injustiças e de muita solidão. Não parece ter sido alguma vez de outra forma e duvido que alguma vez venha a ser diferente no essencial, mas aproximamo-nos a passos largos de um momento de ruptura. O país talvez possa remediar-se politicamente, mas a aprendizagem e decisão morais terão que ser reinventadas por cada homem como se se tratasse do primeiro dia da história.
Elias Canneti sublinhou que, na relação entre o poder e a sobrevivência, o mais poderoso alimenta-se da destruição dos outros, aspirando a que ninguém permaneça de pé, vivo e diferente, à sua frente. Para além das diferenças políticas está essencialmente a dignidade de uma Pátria, e esta somos nós, os boquiabertos, os informados. É gravíssimo este envenenamento em massa e a nós só nos resta esperar e assistir à gratuitidade minuciosamente enganadora do que aconteceu que sempre se deu mal com a teoria que explica o que verdadeiramente acontece. Pois eu, o que é que os senhores querem, continuo sem perceber realmente qual é o verdadeiro e único objectivo desta fantochada toda, neste evidente desacreditar do processo, da justiça e de um partido.
Ai, meu país, andam à solta os cães enraivecidos e, uns mais do que outros, todos ladram miseravelmente contentes com tão sinistra matilha.
“Cada um de nós espera que esta pátria (propositadamente em minúscula) cumpra o seu dever”, pelo menos, eu ainda o espero, independente do franzir do sobrolho e dos punhos cerrados de indignação.
Seguramente e dentro de pontuais minutos assistiremos a mais um episódio de má qualidade desta triste telenovela.
Ai, meu país que o teu tecido não é transparente e limpo. É feito de interesses, de cobiça, de mentiras, de ciúme, de injustiças e de muita solidão. Não parece ter sido alguma vez de outra forma e duvido que alguma vez venha a ser diferente no essencial, mas aproximamo-nos a passos largos de um momento de ruptura. O país talvez possa remediar-se politicamente, mas a aprendizagem e decisão morais terão que ser reinventadas por cada homem como se se tratasse do primeiro dia da história.
Elias Canneti sublinhou que, na relação entre o poder e a sobrevivência, o mais poderoso alimenta-se da destruição dos outros, aspirando a que ninguém permaneça de pé, vivo e diferente, à sua frente. Para além das diferenças políticas está essencialmente a dignidade de uma Pátria, e esta somos nós, os boquiabertos, os informados. É gravíssimo este envenenamento em massa e a nós só nos resta esperar e assistir à gratuitidade minuciosamente enganadora do que aconteceu que sempre se deu mal com a teoria que explica o que verdadeiramente acontece. Pois eu, o que é que os senhores querem, continuo sem perceber realmente qual é o verdadeiro e único objectivo desta fantochada toda, neste evidente desacreditar do processo, da justiça e de um partido.
Ai, meu país, andam à solta os cães enraivecidos e, uns mais do que outros, todos ladram miseravelmente contentes com tão sinistra matilha.
“Cada um de nós espera que esta pátria (propositadamente em minúscula) cumpra o seu dever”, pelo menos, eu ainda o espero, independente do franzir do sobrolho e dos punhos cerrados de indignação.
Seguramente e dentro de pontuais minutos assistiremos a mais um episódio de má qualidade desta triste telenovela.
7.1.04
Um momento
Fotografamos a vida com medo de perder a memória, guardamos as imagens que não tivemos tempo de admirar, lançamo-nos sobre postais que nos permitem levar para casa monumentos ou maravilhas a que praticamente viramos as costas quando as tínhamos perante nós. Preocupamo-nos demasiado com as coisas que não farão parte das nossas recordações e as verdadeiras memórias, aquelas que nos possuem, não as podemos exibir. Somos uma raça estranha, não acham?
Fausto pediu a Mefistófeles um momento que fosse tão belo que merecesse o grito de “Pára!”. E assim, assassinou Margarida.
Fotografamos a vida com medo de perder a memória, guardamos as imagens que não tivemos tempo de admirar, lançamo-nos sobre postais que nos permitem levar para casa monumentos ou maravilhas a que praticamente viramos as costas quando as tínhamos perante nós. Preocupamo-nos demasiado com as coisas que não farão parte das nossas recordações e as verdadeiras memórias, aquelas que nos possuem, não as podemos exibir. Somos uma raça estranha, não acham?
Fausto pediu a Mefistófeles um momento que fosse tão belo que merecesse o grito de “Pára!”. E assim, assassinou Margarida.
6.1.04
Devaneio
O impossível só existe se nós o inventarmos.
Vamos acreditar hoje, aqui, que tudo é possível, que tudo será possível.
O melhor, aqui e sempre, é o mais agradável e cada um de nós é muitos.
O impossível só existe se nós o inventarmos.
Vamos acreditar hoje, aqui, que tudo é possível, que tudo será possível.
O melhor, aqui e sempre, é o mais agradável e cada um de nós é muitos.
desfolhada
Ruven Afanador
em ti
eu estou
de mim
me esqueço
de ti
eu sou
dentro de mim
me aqueço
no desejo de ti
regresso a mim
Ruven Afanador
em ti
eu estou
de mim
me esqueço
de ti
eu sou
dentro de mim
me aqueço
no desejo de ti
regresso a mim
5.1.04
Ou vice-versa
Terry Allen
Despertas-me o corpo
O desejo nos dedos
Desfazes-me o disfarce
O prazer na pele
Desapertas-me a vontade
O sabor na saliva
Desabotoas-me a pele
O suor nos seios
Descobres-me o desejo
A vontade no ventre
Dás-me o tempo
A urgência nas unhas
Deitas-me no delírio
O grito na garganta
Ah, mas defendo-me e desfiro sem trégua.
Terry Allen
Despertas-me o corpo
O desejo nos dedos
Desfazes-me o disfarce
O prazer na pele
Desapertas-me a vontade
O sabor na saliva
Desabotoas-me a pele
O suor nos seios
Descobres-me o desejo
A vontade no ventre
Dás-me o tempo
A urgência nas unhas
Deitas-me no delírio
O grito na garganta
Ah, mas defendo-me e desfiro sem trégua.
3.1.04
Silêncios ao vento
Aos que nada procuram
Porque já procuraram muito
Aos que nada encontram
Porque perdem os caminhos que vão dar a casa
Aos que nada vêem
Porque trocam os sítios e encobrem os sinais
Aos que nada seguem
porque os pulsos não encaminham as mãos
Aos que nada esquecem
Porque carregam no peito a ponta de um arpão
Aos que nada auxiliam
porque o tempo confunde qualquer abraço
Aos que nada desejam
Porque navegam no silêncio do corpo
Aos que nada beijam
Porque a sede se disfarça sobre a pele
Aos que nada possuem
Porque desfiam o limite para além do limite
A todos nós
Para que não tropecemos na paz adormecida
Destruindo todas as pistas que nos salvam
Encontros, desencontros, não importa
Porque para amar é tão curta esta nossa vida.
QUE ESTE NOVO ANO SEJA O ANO DA CONCRETIZAÇÃO DOS SONHOS
Sem preconceitos
Sem fome
Sem sombras sentadas no peito
Aos que nada procuram
Porque já procuraram muito
Aos que nada encontram
Porque perdem os caminhos que vão dar a casa
Aos que nada vêem
Porque trocam os sítios e encobrem os sinais
Aos que nada seguem
porque os pulsos não encaminham as mãos
Aos que nada esquecem
Porque carregam no peito a ponta de um arpão
Aos que nada auxiliam
porque o tempo confunde qualquer abraço
Aos que nada desejam
Porque navegam no silêncio do corpo
Aos que nada beijam
Porque a sede se disfarça sobre a pele
Aos que nada possuem
Porque desfiam o limite para além do limite
A todos nós
Para que não tropecemos na paz adormecida
Destruindo todas as pistas que nos salvam
Encontros, desencontros, não importa
Porque para amar é tão curta esta nossa vida.
QUE ESTE NOVO ANO SEJA O ANO DA CONCRETIZAÇÃO DOS SONHOS
Sem preconceitos
Sem fome
Sem sombras sentadas no peito