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30.9.03

E,
deslizando entrelaçado nas gotas, ele estava ali como um relâmpago que me vinha visitar, sem me tocar.

Falta de sol
Normalmente tenho uma disposição alegre. Para ser mais precisa, não é exactamente alegre, mas uma disposição prazenteira alternada com algum mau feitio. Por outras palavras, não sou carrancuda, talvez um pouco séria demais, sem ser muito adulta, mas também risonha, sem que a boca esteja sempre contorcida com um sorrisinho idiota. Isto é, tenho uma disposição alegre. Mas há dias em que, sem razão aparente, a melancolia nos invade ou, por engano, a própria tristeza.
E assim estou, tranquilamente, à espera que a chuva passe.

29.9.03

Estado de Espí­rito
Receio bem que, salvo casos excepcionais, as nossas vidas correm na direcção oposta da jubilosa e mágica aceitação que tudo corre bem e vence, para uma amargura de madeira carunchosa que nos vai roendo as alegrias e azedando os deveres... madeira de caixão, suponho.
E é nestes meus dias de consciência da efemeridade que a vida ganha uma importância desmedida. Fica o sabor amargo do arrependimento daquilo que não fiz e daquilo que perdi. E a dúvida permanecerá sempre, será que poderia ter sido diferente?

Ping Ping Ping
Qual é a diferença entre um canalizador e o Messias?
O Messias ainda pode aparecer um dia. Mas o canalizador nunca aparece, a não ser à força. O destino daquela torneira dependerá da minha persistência.

28.9.03

Para sempre
Treze anos depois, assisto pela segunda vez a um concerto dos Rolling Stones, e não tenho dúvida, são os grandes senhores do rock. Estão velhinhos e cruzam aquela linha final que aconselha a retirada, mas isso não impediu que estes senhores oferecessem aos milhares de fãs um concerto excepcional de quase duas horas. Uma produção gigantesca, meios e soluções técnicas que nos deixam de boca aberta, a música de sempre e para sempre e a cumplicidade de três gerações, avós, pais e filhos que cantam em uníssono.
Não voltarei a assistir a outro concerto das Pedras Rolantes, digamos que para prevenir o desencanto, mas a sua música estará sempre naquela prateleira onde as melodias têm histórias para contar e recordar.

27.9.03

Bem passado
Também vais a Coimbra?, por telefone, sms ou mail, esta é a pergunta das últimas 24 horas. A excitação é compreensível no grupo dos trintões. Segundo as últimas informações são cerca de 40.000 e a preocupação aumenta. É essencial conseguir um bom lugar para todos. Na Bairrada, claro.

26.9.03

flor de obsessão
Seja bemvindo como o sol num dia de inverno.

Momentos
Não há dúvida que hoje começou precisamente à 3 meses, e agarrado ao meu primeiro post está toda a emoção do meu sentir.

O Título
Disto, e sempre numa perspectiva amadora e desavergonhada, vou falar de seguida: os meus problemas com os títulos, como indica o próprio título. Dirão alguns de vocês e muito bem, que os textos não carecem de título e que não devemos ficar enredados nas explicações de uma palavra ou frase.
Mas, eu tenho um carinho muito especial pelo título, cada um a seu momento, principalmente por aqueles que contribuíram para me depor com o melhor encontro com as palavras, no sentido espinhoso e sofrido do termo. O Título, assim, com maiúscula, é como um personagem que voluntariamente ou involuntariamente (?) protege e encerra o mundo privado das palavras, como se fosse um tipo intrometido e que opina sobre tudo, sem ser especialista seja no que for. Vai do ingenuamente sabido ao sabido fundamentado, mas presta sempre contas aos passos das palavras, não se lança nelas, mas também não permanece ignorado.
Eu nunca soube manter-me à margem de um título ou deixá-lo na margem, nem sequer consigo manter esse distanciamento. Não tenho fórmulas. Falta-me subtileza, divertimento e profundidade, no entanto, aqui encontram-no sempre, onde houver palavras. De qualquer maneira, procuro sempre títulos impertinentes, nítidos, precisos e mordazes ou seja, Títulos Felizes.
Depois, fico pensativa, a interrogar-me sobre o que fazer para o conseguir.

25.9.03

Cena de um filme
Ela: E pronto, foi o nosso casamento.
Ele: Será que o perdemos? Como os astronautas que foram à Lua e depois ao olharem para o registo das suas imagens, disseram, perdemos o momento.
Ela: O momento só se perde se não for vivido.

Nua
Ela está lá. No quarto. Só.
Quase que não se move, a não ser a cabeça que passeia da porta para a janela, da janela para a porta, à espera. Espera pela noite, pois o sonho conduz os acertos do seu corpo com o corpo dele, até de manhã.
Existe. No quarto. Nua.

Bandeirada
Uma bandeirada de valor acrescido ou um suplemento de aeroporto é a
intenção da Antral no contrato a celebrar com a CML, a Federação
Portuguesa de Taxis e a Ana, e o argumento é o tempo de espera no aeroporto.
Esperam, porque estão todos lá estacionados, na fisgada do estrangeiro que enganam com frequência e do suplemento adicional pelo transporte de bagagem que já é cobrado. Esperam, porque ganham mais e compensa, não porque alguém os obrigue a lá estar.
Se já existem algumas praças que de taxis só têm a placa identificativa, imaginem o que acontecerá se a bandeirada com saída do aeroporto for mais elevada. É levantada inclusive a hipótese de outras praças de maior afluência, como é o caso do Arco do Cego e Gare de Oriente, permitirem a aplicação desta taxa pelos senhores taxistas. E a seguir vem o quê? O Rossio, por ser o centro da cidade? Isto é um absurdo. Mas, teremos a garantia que mais alguns serão enganados pelos antipáticos, na sua maioria, senhores taxistas.

24.9.03

Espero que nunca me peças para abrir a janela
Um ao lado do outro. Comuns. Inútil.
Mas como? Ia mudar o quê?
Ele vai tocar-me como se eu fosse uma coisa estranha.
E afinal de contas, eu não sou?
Todos já devem saber o que eu sou. E depois eu nunca tive vergonha daquilo que sou. Depois, depois deito-me com eles, peito no peito, a coisa mais filha da puta da vida, esta solidão.
Que importa?
Ele está a olhar novamente para mim. O meu corpo é a minha sina, tem vida própria, mexe-se sempre de uma forma que eu não quero mexer.
Que se dane. Não tenho medo de ninguém.
Vou olhar para ele, agora, e não me vou preocupar. Não deve ter percebido. Certamente não percebeu. O que não posso deixar é que alguém venha a saber. Isto não acontecerá. Não, não é só calma.
E o que restaria?
É assim, desde daquele tempo, sempre. Levou dentro dele todas as minhas vontades. Claro que não. O frio é a minha resposta, não a dele.
Tão leve, tão espontâneo. Um abraço, talvez, fosse o ideal.
Algo na janela estalou!

23.9.03

Momento
O preto com o branco dava o cinza nuvem de gotas de água que reflectiam o amarelo girassol do sorriso, que por sua vez estava suspenso no vermelho lábios carnudos e espantava-se com o azul olhos de mar intenso que esbarrava na transparente respiração. E, neste momento bordeau vinho, as cores embriagadas passaram junto, sem ruído, na pele.

Ídolos
Provavelmente o formato do programa/concurso Ídolos exige aos elementos do júri presentes que a seriedade da sua análise seja transmitida aos participantes com frontalidade, mas de maneira alguma, frontalidade deverá significar má educação e falta de respeito.
Os Senhores Manuel Moura dos Santos e Luís Jardim, e sem questionar a sua experiência profissional, optam por comentários desnecessários e, a meu ver, de uma grande falta de gosto, que por vezes em nada têm a ver com as capacidades vocais dos participantes, mas somente com a aparência dos mesmos.
Procuram um ídolo do pop-rock. Honestamente não sei o que isto significa em termos de imagem. Assim de repente, lembro-me de James Brown, Mick Jagger e de Prince.
Seria importante que estes senhores com a experiência que possuem, não esquecessem o sucesso de dois artistas a que estão ligados e que provavelmente estariam condenados se, na altura, estivessem sujeitos a apreciações deste género: Rui Veloso, quem não recorda a imagem do Chico Fininho, e João Pedro Pais com o seu metro e meio de talento.
É um concurso, eu sei, mas é também uma mão cheia de sonhos que ali se arriscam e se expõem, e só por isso, merecem todo o respeito.

22.9.03

Mário Cesariny
Uma certa quantidade de gente à procura
de gente à procura de uma certa quantidade
.

Lembrei-me da Blogosfera.

Espanto
Estará a aproximar-se uma nova era de intolerância?

Suspiro
Os nossos dias cada vez mais se caracterizam pela permanente presença da suspeita.
Nada, ou quase nada, é o que parece ser e em quase todos os triunfos há uma cilada.

21.9.03

Oficial de Justiça
Recebo uma acusação por ter uma atitude contraditória à atitude comum da blogosfera, linkar na minha página o muitomentiroso. Sofro com a censura e considero imoral esta demonstração de honradez teórica.
Em nome de quê ou de quem, alguém se sente autorizado, e sem reservas, em acusar outro, num discurso manipulador e de alguma coacção ética? Afinal, não é assim tão diferente do muitomentiroso, pois não?
Não defendo as ideias difamatórias do blog em questão, sejam elas verdadeiras ou não, mas não escondo, ao contrário de muitos, a sua leitura. Permanecerá linkado até eu assim o entender, da mesma forma que não deixarei de ler qualquer jornal quando o assunto for referido, nem desligarei a TV quanto o tema for notícia.
A hipótese de cumplicidade com o(s) autor(es) do blog é tão absurda que nem merece ser comentada.
De qualquer forma, acho muita piada falarem dele, o que implica na maioria dos casos a sua leitura, mas não vejo que alguém faça alguma coisa, a não ser o não linkar.
Creio que o BLOGGER, a pedido de todos os blogs e devidamente justificado, pode banir blogs. Pensem nisso!

Bem Hajam

20.9.03

PASIÓN
Gosto muito de ser surpreendida e hoje, o concerto do Rodrigo Leão foi realmente uma grande surpresa.
Uma estranha e poderosa forma de sentir, mas ao mesmo tempo de uma delicadeza surpreendente. É um atravessar de paisagens em tons outonais que subitamente nos envolve e aquece - Pasión.
Simplesmente espectacular a Celina da Piedade, voz e acordeão.
O único senão deste concerto foi o som. Um técnico que não sente a música que está a operar, é como um louco com uma faca na mão, assassina uma boa voz. Quase conseguiu com a convidada Sónia Tavares dos Gift. É uma pena, este espetáculo merece muito melhor.


19.9.03

Outdoors
«O movimento cívico Vizinhos do Centro de Lisboa ameaça colocar cartazes de resposta aos mupis de promoção da actividade camarária que a autarquia espalhou pela cidade nos locais onde há coisas erradas», noticia hoje o jornal Público.
E o movimento cívico Os Vizinhos do Centro de Lisboa está aqui.

Fui à  Fnac
Exactamente, e vou falar sobre isso.
Fui à Fnac do Chiado, à  semelhança de uma centena de outras vezes, não porque é melhor ou pior do que qualquer outra, mas essencialmente porque fica mais à (minha) mão. Sempre foi assim, por necessidade ou possuí­da pelo apetite de um novo sabor, lá vou eu, até ontem, sem pensar no assunto, ao meu supermercado.
Vagueio o olhar e tenha a sensação que algum de vocês até pode lá estar naquele preciso momento, mas eis o que vejo:
Os esquisitos, que com pouco apetite e algum ar de aborrecimento, vagueiam de livro em livro e encontram sempre boas razões intelectuais para abandonar a meio a maioria dos livros que começam.
Os obcecados, alucinados por um só tema ou de um só livro, olham com algum receio como se a escolha de uma coisa diferente lhes fizesse mal. Em ambos os casos, as olheiras são predominantes e a tez de um tom de amarelo pálido transparece respeitabilidade.
Depois, existem os outros, que sedentos de novas descobertas, sem exclusões à priori, deambulam pelo espaço. Têm o toque da sua preferência no paladar, mas procuram com o gosto de quem quer saborear. Têm decididamente melhor cor que os outros e aquele brilho, sim, o tal, no olhar.
Abano a cabeça, tenho pouco tempo e uma prenda para comprar. Só posso estar maluca, e vocês são os culpados.

PS. Tenho a sensação que acabei de matar dois coelhos com uma cajadada: Post & Fnac. Fixe.

A equação do ovo cozido

Segundo o físico Peter Barham é possível calcular o tempo de cozedura de um ovo em água.

T=0,0015 d2 log(e)2 T(água) – T (ovo) / T(água) – T (gema)

T= tempo de cozedura em minutos
D= diâmetro do ovo em milímetros
T(água) = temperatura da agua à volta dos 100ºC
T (ovo) = temperatura inicial do ovo, à volta dos 5º, se estava no frigorífico
T(gema) = temperatura a que se quer deixar a gema (de 63º a 65º para que a gema fique dura, por volta dos 60º se preferir a gema ainda meio liquida)
Log(e) = logaritmo de base e

Nota: No caso dos ovos, o tamanho importa.
Um ovo de 40 mm de diâmetro está cozido em 3 minutos e um com 60mm demora cerca de 8 minutos e 45 segundos. Dúvidas?

18.9.03

Os beijos
deste Senhor são uma verdadeira delícia.

O toque
O contacto humano é parte essencial e saudável do nosso dia-a-dia. Confiamos no toque para o enriquecimento emocional, para proporcionarmos conforto, aumentarmos a intimidade e encorajarmos a partilha. É uma forma de comunicação que se baseia mais na intuição e na compreensão do que no diálogo. É a nossa capacidade de dar e receber prazer, exigindo um conhecimento profundo das necessidades do nosso companheiro.
Deter-se a explorar e a conhecer o corpo do outro é simultâneamente divertido e excitante.

&

O teste
Segundo as últimas informações disponíveis, além dos heterossexuais, tem aumentado o número de casos de sida nos idosos, sobretudo entre os maiores de 65 anos. A ausência da prevenção neste último grupo baseia-se no mito que as pessoas mais idosas não têm uma vida sexual activa e como tal não estão em risco. As campanhas esquecem que o aumento da esperança de vida, a frequência dos divórcios e o famoso comprimido azul, permite-lhes uma maior actividade sexual. Ainda é usual nos homens a ida às «meninas» para fazer aquelas coisas que não se fazem em casa e que, para muitas destas mulheres, a utilização do preservativo masculino ou de outro tipo de contraceptivo é desconhecido ou colocado simplesmente de lado pelo facto de estar afastada a possibilidade de gravidez.
Nos dias de hoje, a sida já não é um problema dos outros, dos chamados grupos de risco, é um problema de todos. Obrigar-nos e obrigar o outro será, a meu ver, o primeiro passo. O teste da sida deve ser encarado como prevenção e não deve compadecer-se com discursos honestos e fieis. Ouso afirmar que o teste deveria ser obrigatório e anual.

17.9.03

Tentem ler isto
De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra
a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a úncia csioa
iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo.
O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoe pdoe anida ler sem
gnderas pobrlmeas. Itso é poqrue nós nao lmeos cdaa lrtea isladoa, mas
a plravaa cmoo um tdoo.

Cosiruo não?

Iron Eagle
Há 100 anos, dois rapazes preguiçosos mas inteligentes, Arthur Davidson, escultor, e William S. Harley, desenhador, fartos de pedalar, tiveram a ideia genial de acrescentar um motor a uma bicicleta e começava assim uma lenda: Harley Davidson, um elogio cromado à preguiça.
A Harley Davidson é a imagem de uma maneira de ser, selvagem, rebelde e solitária. Uma forma de viajar, não pelo prazer de chegar, mas sim pelo prazer de ir, como uma aventura poética e um meio simbólico para atingir o espirito de liberdade.
O símbolo da rebeldia a que sempre esteve ligada já não é o que era, mas a imagem da Harley Davidson estará sempre associada aos que gostam de vaguear pela vida, mesmo que seja só por um par de horas.
Não há duas Harley iguais, todas são preciosas e únicas e o único limite à metamorfose é a imaginação de cada um, uma transformação que pode durar uma vida.
Soberbas, únicas e envolventes ou arfantes, odiosas e ultrapassadas, as Harley Davidson vivem ainda e sempre e não deixam ninguém indiferente.
Easy Rider, o prazer da sedução aliada à força do ferro. Eu gosto.

Alguns modelos de colecção poderão ser observados durante o 3º Encontro Nacional Harley Davidson, dias 10,11 e 12 de Outubro, em Lisboa.

16.9.03

Confusão
Hoje, estou perdida na complexidade do simples.

Onírico
Aristóteles diz que em sonhos ninguém pode esforçar-se por ser virtuoso ou culpar-se por o não conseguir.
Sonhei contigo.
Sonhei poder sonhar contigo.
O sonho dentro do sonho.

15.9.03

O meu outdoor
AND YOUR POINT IS?

Outdoor
O outdoor, cartaz de grandes dimensões para afixar, em local público, anúncios, avisos, reclamos, etc., é um dos meios cada vez mais utilizados pelo marketing político. Mas, ao contrário do que muitas vezes é entendido pela classe política, o marketing político não é, nem deve ser, propaganda e não deve reduzir a sua área de acção a realizar operações de construção de imagem de um candidato ou a promover, através da espectacularidade, objectivos mediáticos ou a necessidade desenfreada e a qualquer preço de obter o máximo de votos para determinado período eleitoral.
O objectivo principal do marketing político é conhecer, compreender e prever as atitudes e comportamentos dos cidadãos e posteriormente é definida a estratégia de comunicação política, ou seja, seleccionar os meios de comunicação que melhor materializam os objectivos, e segundo os entendidos na matéria, é nesta fase que devem ser ignoradas quaisquer preocupações com a comunicação social.
É por desprezar com frequência esta regra que os políticos esquecem o respeito pelos cidadãos e a ética relativa às formas de estar perante a opinião pública.
Considero uma falta de respeito e de ética o excesso de outdoors que surgem por todo o lado, para não mencionar os custos elevados desta opção de propaganda, e inclusive, de alguma poluição visual.
Não considero que a referência das obras feitas ou em curso como uma prenda ao cidadão, mas sim, como uma obrigatoriedade da autarquia e na maioria dos casos com bastante atraso.

A título de curiosidade, antigamente cartaz era um salvo conduto ou passaporte para se poder cruzar o mar das Índias.

À flor da pele
Tenho o sentir da lua nos pensamentos do corpo.

12.9.03

Dúvida
Escondes-te sem te esconderes
Foges sem fugires.

Como é possível estares sempre onde é preciso estar e tantas vezes como não devias estar?

Conta-me
uma história de fantasias encantadoras e faz-me sentir a suavidade do crepúsculo.
E não te peço mais nada.

Por vezes
o excesso de simpatia faz-nos perder tempo.

11.9.03

Porquê?
Este silêncio que não canta.
Este silêncio que me espanta.

Cha-cha-cha
E a determinado momento, sério, ele diz:
- Devíamos dançar. Queres ir comigo para as Danças de Salão?
Os olhos dela esbugalharam-se de espanto. A imagem de umas tufadas mangas de camisa agarradas a um esvoaçante vestido de penas multicolores rodopiaram pela mente e escangalhou-se a rir. Isto desmancha qualquer rapariga. Pelo menos esta.
- Desculpa, mas não gosto de sapatos de verniz, disse ela já com alguma seriedade.

« Eu sei, mas é uma resposta tão boa como qualquer outra.»


10.9.03

Site-meter
A morte é a única certeza que temos na vida, eis a sinistra verdade que acompanha a nossa existência.
É clara, nítida, irrevogável, limitativa e dogmática. Não tolera as indecisões, nem os compromissos e apaga de uma penada qualquer contradição, deixando para sempre o incompreensível.
Recusamos o pensamento da morte, mas em pensamento, desejamos que ela nunca nos invada o sentir ou que nos dê mais algum tempo, mas à medida que avançamos no tempo, este contador, o único site-meter que conta e conta, regista irremediavelmente o desaparecimento daqueles que gostamos. Será sempre de repente e para sempre.
Chamavas-me de Minha Vida e repreendias-me quando dizia que não acreditava na vida depois da morte. Explicavas-me que a vida tacteia e retrocede e depois naturalmente afadiga-se e acaba mais cedo ou mais tarde, por se decidir a pactuar com a morte, e este pacto, não é mais do que uma prevista conciliação. É esta certeza, a certeza da morte, que exige que nós alimentemos a vida de incertezas para que esta não morra.
Hoje, aqui, celebrarias 38 anos e sei que, aí, também os celebrarás com o mesmo entusiasmo e alegria com que sempre celebraste cada ano da tua vida.
Descansa no irrefutável, meu amigo.

Vida
turva
obscena
confusa
desonesta
contaditória
hesitante
frágil
absurda
dolorosa
trocista

9.9.03

Baile
Dou-me mascarada,
mascaro o meu dar-me,
oculto o meu avanço,
avanço do que não se sabe ao que não se vê,
do que não digo ao que não creio,
do que não sei ao que não estou disposta a confessar.

Se tens coragem, põe a máscara e vem ao baile.

Docinho
- O que é pele?
- Pele é couro que guarda o sangue.
- O que é sangue?
- É uma água grossa e vermelha que esconde o osso.
- O que é osso?
- É o que põe a gente de pé.
- E o que tem dentro do osso?
- Tem tutano que ninguém sabe o que é.
- E onde está o osso?
- Aqui.
- Aqui onde vovô?
- Segurando o corpo.
- O que é o corpo?
- Ora, é tudo isto.
- É você?
- É, sou eu.
- E isto?
- E não é o seu corpo, menino?
- Então dá um chocolate para ele, vovô.

«Escarcéu dos Corpos, Jorge Miguel Marinho»

8.9.03

Vendo
Por motivo de desalento, vendo pelo melhor preço bilhetes recentemente adquiridos para os jogos com a selecção de Portugal, dias 12, 16 e 20 de Junho de 2004, a realizar nos estádios do Dragão, na Luz e no Alvalade XXI, respectivamente.
Envio de propostas para deslizarnosonho@hotmail.com

Procuro
Procuro Blogador profissional para explicações particulares. Garanto empenhamento. Aceito propostas que à partida garantem algum sucesso. Para um melhor diagnóstico deste difícil caso, confesso as minhas maleitas, respondendo ao teste do avatares:
1. Leio com alguma maldade a coluna de opinião do Público e do DN, senão como poderia falar mal?
2. Tenho orgulho no sucesso com que utilizo o Google, mas não percebi essa das discussões, eu estava convencida que eram protagonismos.
3. 4. 5. Só dei pela existência dos senhores mencionados, pela quantidade de pessoas que os linkam. Juro que nada sei sobre a sua vidinha, mas afirmo que gosto do aviz, acho piada ao dicionário do diabo e lamento a ausência da flor de obsessão. Também gosto do Pedro Rolo Duarte e não tenho problemas com isso. Gosto do Sporting, mas neste momento, tenho problemas em falar disso.
6. Peco por excesso, pois tenho sempre poemas de reserva e de acordo com os meus estados de espirito e jamais estarão relacionados com o controlo mecânico de um site-meter.
7. Quanto ao Tolstoi, não o trato por tu e muito menos a sua obra, mas estou a tratar por tu uma produtora russa para apresentação de um espectáculo baseado na obra de Tolstoi. Será que conta?
8. Ardo sempre que o momento exige, seja com as discussões ou com os fingimentos.
9. Essencialmente, lamento a localização do povo iraquiano.
10. 12. Consolidada, tenho somente a idade e evito ao máximo falar de pessoas que não conheço.
11. Mas o que é que tem de mais ou de menos ir à Fnac? E concretamente à do Chiado? Por favor, não façam disto mais uma modinha.
13. Gosto de bebericar um vodka tónico nas pausas de uma boa leitura. Isto é excentricidade? Caramba, que vidas animadas.
14.15. Acabei de utilizar o dicionário on line para ver os sinónimos de cacete, expressão que utilizo com bastante frequência e gostei de aborrecimento. O palavrão como mostra de inconformismo é um cacete.
16. Inventar mails? Eu acho que consigo fazer isso e posso também dizer para esperarem um bocadinho que responderei oportunamente.
17. Assumidamente, as minhas gralhas são mesmo as minhas gralhas

P.S. Eu nem consigo perceber quantos pontos tenho...


Experimentem
A temperatura não ultrapassa os trinta graus e a brisa suave destempera o aquentar da pele. O mar ganha os primeiros contornos da rebeldia do final de verão e as ondas são um convite às brincadeiras deslizantes da infância. O areal pouco a pouco reconquista a sua extensão e abraça os corpos que adormecem embalados pelo silencioso folhear das páginas.
A tranquilidade apodera-se das povoações e agora sim, é possível saborear as delicias do Algarve. Experimentem, entre Carvoeiro e Porches, aconchegada por uma falésia, a água transparente da Praia da Marinha, e ao final do dia, em Alvor, as conquilhas, os mexilhões e as amêijoas com coentros, ou simplesmente umas embriagantes caipirinhas. O jantar, a horas tardias, é na Taberna da Maré, debaixo da ponte de Portimão, onde a escolha é sempre difícil, entre o arroz de lingueirão ou de polvo, os carapaus alimados, o peixe fresco e o marisco que não perde o sabor a mar.
Experimentem o Algarve em Setembro.

5.9.03

proxima estación: ESPERANZA

Na segunda feira passada foi notícia o cancelamento do concerto em Málaga do Manu Chao com Firmín Muguruza, por este último, em concertos anteriores apelar à resistência e à liberdade, sem, contudo, mencionar o País Basco. Depois deste cancelamento, outro se verificou pelo mesmo motivo, e muitas acuações foram feitas a Firmín por supostamente ter umas ideias bastantes radicais acerca da independencia do País Basco.
Deixo aqui, as palavras de Manu Chao.

Lo que he leido sobre mi amigo
Fermin Muguruza
estos dias en cierta prensa me escandaliza profundamente.

El retrato que se quiere dar
del personaje es
totalitariamente caricaturizado,
tendencioso, ademas de
en las antipodas de la verdadera persona
con quien canto e comparto escenario cada dia.

Frente a los ataques agresivos,
hostiles y injustos a los cuales
esta sometido
Fermin sabe que puede contar
con todo mi apoyo
El espectaculo Jai Alai Katakumbi Express
siempre fue y sera unico e indivisible!

...Radio Bemba non grata en la ciudad...
Acusados de promover asesinatos,
de ser defensores del terorismo
mas sanguinario, y no se cuantas burradas mas...
Si no se tratasse de palabras mayores
todo se quedaria simplemente en una
broma ridicula, absurda y aburrida...
Palabras en el viento, se las lleva la corriente...
Pero en este caso preciso las acusaciones duelen...y ofeden.
Duelen y ofenden
porque distorsionam
y torturan
nuestra imagen publica
y nuestros
ideales mas profundos.

Yo naci en Paris
Me crie en una republica.
Y si algo me enseño
esa republica es que todos
nacemos iguales,
y que mi libertad
se acaba ahí donde empieza
la de los vecinos.
Lo tengo clarisimo.
Y eso implica un rechazo
permanente de cualquier
forma de violencia intencionada
o gratuita a outra persona.

También pienso y siento
que este mundo se ha disparado...
...en un sin fin de violencias cada dia
mas teribles por ser absurdas...
...definitivamente absurdas y sin salida...
...cual es ahora la salida a la crisis en Irak?
Nadie lo sabe!
Yo tampoco!
Quizas dandole
una opotunidad
a la palabra.
Y no, como bien dice
Vazquez Montalban,
intentando apagar
el fuego echandole mas gasolina.

Esta todo hecho un lio!
Estamos tod@s revolcaos
en un merengue colosal!
Y yo me pergunto:
Quien tiene intereses
en que haya tanto lio?
Quien saca patatas del fuego
cuando a tod@s toca espina?
Quien necesita desestabilizarlo todo?
Quien necesita reprimir, para mejor reinar...
Para mejor ganar, mas dinero, a corto plazo,
como maleducados...sin pensar en nada mas...
...ni en el futuro de sus proprios hijos...?

...lo unico que se yo y que me espanta,
es que la mayoria de los que nos gobiernan
son de esa indole suicida para qualquier
solucion humanamente fraternal... en Euskadi,
como en España o en gran parte del resto del mundo
conocido...

Y asi me despido...
...gracias por la atención...
...nos vemos por la carretera...
...buscando un ideal...
...cada dia mas dificil de alcanzar...
...La cosa esta jodida...
...Hay que estar atentos!
...La democracia vacila por arriba...
...Vienen a por uno...
...y nadie dice na...
Vienen a por otro...
...y nadie dice na...
...o tan pocos...
...los que poco a poco sufren las trampas...
...cada dia mas groseras...
...en sus proprias carnes...

...y aunque seamos mucha mayoria...
...como contra esa absurda guerra...
...ni nos escucham...
...con toda prepotencia...
...nos cagan chapapote...
...nos invaden las rias...
...desacreditando...
...ahogando en mentiras...
...desocializando...
...dividiendo la sociedade...

...cierran piriodicos en Euskadi...
...y nos vomitan mas mentiras...
...que estamos en peligro...
...que hace falta represión!
...que todos los que no pensamos como ellos
...somos peligrosos terroristas...

...viejos tiempos estan DE VUELTA...

Los mismos viejos tiempos,
Mismos vientos rancios
Que hicieron que en vez de nacer en Bilbao o en Galiza...
Tuvisse que nacer en Paris.
Lejos de mis profundas raices.

En una proxima nos vemos.
Ya vendran mejores tiermpos.
Estemos atentos.
Proxima estación: Esperanza.




4.9.03

O Tempo
Diz-se que o tempo muda as coisas, mas na realidade somos nós próprios que as temos que mudar.
Não devemos deixar ao abandono as vivências que se repetiram em tempos e lugares diferentes e que marcam profundamente o nosso presente e, que continuarão para lá dele, esperando que o tempo se encarregue de as afastar da berma do quotidiano. Não devemos oferecer ao tempo a memória dos bons momentos sem abraçar incondicionalmente a amizade, pois só essa amizade poderá sarar as feridas.
Apesar de tudo, sei que terei sempre gosto em partilhar o meu sorriso contigo.

Sabedoria do Mar
Um navio pode dar à costa por força do mau tempo, mas encalhar tem toda a mediocridade e azedume do erro humano.
(Joseph Conrad – marinheiro e escritor)


Calceteira
Há uma velha anedota que fala de um imigrante que queria ir para a América fazer fortuna, porque lhe tinham dito que naquele país as ruas estavam pavimentadas a ouro. Ao chegar à terra prometida , descobriu três coisas:
1. As ruas não estavam pavimentadas a ouro.
2. As ruas não estavam pavimentadas.
3. Quem as tinha que pavimentar era ele.

Há dias assim!

3.9.03

Pés Chatos
Há dias em que as palavras são obstáculos, autênticos tropeços que dificultam a comunicação e estagnam a imaginação. Nestes dias, a criação descansa em lugares comuns, mais ou menos conhecidos, os assombros são vulgares e até as maravilhas são usuais.

Teorias
Haverá sempre os que tentam convencer-me, refutar-me ou até redimir-me, mas o pior de tudo é quando tentam impingir-me teorias sobre o comportamento humano como se fossem verdades absolutas. Vou aos arames quanto tentam racionalizar o meu sentir.

Diferenças
Quem procura a diferença tem que começar por mostrar a sua aptidão em diferenciar e aceitar a diferença.

2.9.03

Ouro
Apalpo devagarinho as tuas palavras, pois não quero arranhar nenhuma letra com as unhas que ficam mais afiadas com o crescimento, e depois, saboreio vagarosamente as frases, inspirando nas virgulas e expirando nos pontos, um alfabeto de respiração boca a boca.
Penso em príncipes e princesas de mãos dadas, que perdem o olhar no contorno das ondas de um final dia de verão. Olham o mar da janela do grande castelo de areia dourada e comem algodão doce cor de rosa, um sonho pintado de morango.
No grande pomar de fruta madura, os meninos e as meninas caminham de mãos dadas, entrelaçam e desentrelaçam os dedos, não é um jogo é o medo, o medo de se perderem na brincadeira da roda das maçãs pousadas nos ramos floridos e de sombras enganadoras.
Os pássaros de grandes penas azuis rodopiam em torno dos girassóis, andam de um lado para o outro e nunca se cansam, não há forma de parar, não há borracha ou tinta correctora que o possa apagar, e provocam: Laranja de franja, laço de cetim, saia de veludo, voa até mim.

Sobre
Anzóis. De anzóis nada sei e também não quero saber. Os anzois não só te apanham mas também fazem doer, segredaram-me os peixes voadores que guiam as caravelas do amor quando o luar adoece. E tem cuidado com as sereias de longa e prateada cauda, pedem-me que te avise, seduzem e iludem o próprio engano.
Com as palavras zangadas não quero brincar, não quero sapos na minha casa de bonecas, mas as joaninhas ensinaram-me que os pais não se zangam com os filhos, os filhos é que se zangam com os pais. Os pais sofrem com o sofrimento dos filhos e mais ainda, quando não o conseguem evitar e zangam-se, zangam-se muito. Voa, voa, joaninha que o teu pai está em Lisboa, dizem. É mentira. Papá, papá, porque é que existe o medo?

Azul
Cruzaram-se na rua. Pararam e sorriram. O menino, sempre atento, tira dos bolsos as palavras que carrega desde sempre consigo e oferece-lhe as mãos cheias: são tuas. Não, diz a menina com os olhos brilhantes, serão sempre tuas, mas eu cuidarei delas como se minhas fossem e não as empresto a ninguém.
E olharam-se mais uma vez. Procuram o paraíso e acreditam que o podem encontrar, pintado de azul pássaro ou rosa algodão doce. Deitam a língua de fora às tabuletas nas encruzilhadas e deslizam no emaranhado de fios dourados dos sonhos que se reflectem no alfabeto da alma.

1.9.03

Deslizar no Sonho

Serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar
Coragem para modificar aquelas que podemos
Sabedoria para distinguir uma da outra

Não sei quem escreveu estas palavras e não me recordo de quando e onde as li, mas não esqueço que as escrevi há pouco mais de três meses, numa revelada e perdida entrega.
São palavras serenas que ofendam o arroubo da vontade, são palavras corajosas que estorvam o desprotegido dar, são palavras sábias, mas indiferentes ao momento inaudito.
Mas o relâmpago é o relâmpago. E a tempestade continuará sempre em suspenso, não só sobre as nossas cabeças como também dentro de cada um de nós. Porém, o que eu quero dizer aqui é que a aposta vale sempre a pena, apesar dos relâmpagos, apesar da tempestade.
O que vos quero dizer, especialmente a ti, Inês, Paula e Francisco, é que façam aquilo que vos digo e não aquilo que faço...ou...será aquilo que faço e não aquilo que vos digo.

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