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31.8.03

Gostei de ler

Helena Matos, Público:
"...Os homens só se apaixonam pela beleza interior das mulheres, caso esta seja devidamente comprovada pela exterior. Já quanto à beleza interior dos homens, as regras são absolutamente outras. Não há como as mulheres para descobrirem a beleza interior dos homens. Às vezes descobrem até onde nem os próprios sabiam que existia."

Pedro Rolo Duarte, DNA
"...Coração que não vê, coração que não sente, eis uma das maiores mentiras que algum Gremlin inventou . A distância ilude, mas não apaga. A ausência atenua, mas não resolve. Não é virando a cara que o mundo muda. Nada a fazer: perto ou longe, o pequeno mundo onde vivemos é igual. Só o silência é diferente. Só o silêncio é."

Luís Fernando Veríssimo, Actual/Expresso
"...E a Eliane diz que o conselho que recebeu da sua mãe, quando se casou pela primeira vez, foi: «Não seja inteligente demais, minha filha.» Quando a Eliane perguntou como fazer para não ser inteligente, a mãe disse: «Disfarce». E contou que devia o sucesso do seu casamento à frase «Eu não tenho cabeça para essas coisas complicadas, mas...», que usava como preâmbulo sempre que precisava de contrariar uma decisão errada do marido. Segundo a mãe da Eliane, num casamento feliz, preâmbulo é tudo."

29.8.03

Message in a bottle
A rotina causa desalento e consome o entusiasmo.
Vou renovar. Sigo na direcção do sol. Espera por mim.

Put the cream, babe
Um senhor chamado Ramon Sucre escreve: “os homens dividem-se em mentais e sementais”, e eu, desde o momento em que o li, dou por mim a olhar para os homens que conheço e a tentar encaixá-los em uma das duas características. Observo, se é que é possível chegar a alguma conclusão só pela observação, que alguns exemplares reúnem as duas componentes ou, pelo menos, têm grandes possibilidades de garantir com harmonia a sua sobrevivência.
Até aqui tudo bem, até ao momento em que me deparo com alguns exemplares que se aventuram pela característica que não é predominante, explico, um mental mascarado de semental ou um semental disfarçado de mental, e safam-se.
Para uma melhor exemplificação, conto-vos algo a que assisti nos meus últimos dias de férias em Portimão. Exactamente, a cidade do semental mais conhecido do país e, segundo o próprio, no estrangeiro também. Eu sei, sou da mesma terra do ZéZé Camarinha, e o que querem que faça, não há bela sem senão. Mas continuemos.
Final de tarde, um calor abrasador e uma esplanada simpática na Praia da Rocha, (ora, claro que há esplanadas simpáticas na Praia da Rocha), bebericava eu uma deliciosa caipirinha , quando, acompanhado por uma alta e espadaúda loura, o Zé senta-se na mesa ao lado. Juro-vos que nunca tinha estado tão perto da criatura e fiquei na dúvida se lhe arremessava uma cadeira ou até mesmo a mesa, sim, porque a caipirinha seria um desperdício. Mas enfim, decidi não perder o tom do bronze e, obviamente, espevitei as orelhas para melhor receber a pérola informativa, ou melhor, o monólogo do Zé, pois a bifa, só acenava a cabeça e sorria, embora em dois ou três momentos, fosse audível uns oh’s, de loura impressionada.
O monólogo iniciou-se com a famosa lenga-lenga do cachorro abandonado, seguindo-se o drama do homem incompreendido pelo mundo em geral e pelas mulheres em particular, e é rematado com a convicção de que, a seu tempo, receberá a devida recompensa divina pelo seu sofrimento, por todos estes anos a penar. Pois.
Nada de novo. Um bocadinho pior do que o trivial dentro do género, mas o apogeu, a estocada final dá-se quando a criatura diz à sua embevecida presa que é poeta e para o provar declama em português versos de Fernando Pessoa e, para meu espanto, Florbela Espanca. A tradução para inglês, na versão put the cream, babe, foi efectuada de imediato, para regalo da moça.
Está bem, foram no máximo meia dúzia de versos, mas é preciso dar algum crédito ao homem, decorar aquilo ainda deve ter dado algum trabalho e, para que saibam, poucos minutos, muito poucos minutos depois, ZéZé obtém um yes, ao convite para conhecer a sua casita. Ah, casita com piscina.







28.8.03

Hoje
Sim, sou, mas não estou.

Hoje
Pensar é fácil, difícil é agir.
Agir é fácil, difícil é pensar.

É difícil, mas hoje, facilmente, agia sem pensar.

27.8.03

Segurança
Segurança, é uma das palavras que mais se fala nos dias de hoje. Queremos ter a segurança de que não perderemos as nossas poupanças, de que não seremos violados ou roubados ao regressar à noite por algum caminho menos iluminado, de que o nosso mundo não será invadido e agredido por outros, mas acima de tudo, queremos ter a segurança que tudo continuará sob controlo no nosso mundo. Eu gostaria de ter a segurança que o nosso território não se tornará um mostruário de centrais nucleares e que nos nossos mares não se convertam em depósitos de resíduos activos, que a segurança nas ruas não seja conseguida através da repressão dos desesperados, mas sim diminuindo os motivos do seu desespero, que a segurança não seja um acumular de armas enquanto desconfiadamente se contabiliza as armas do inimigo, mas sim o exercício da coragem e da imaginação que permita o gradual desarmamento, de que o terrorismo será combatido com toda a força da lei e não com a pura lei da força.
Acredito que, cada vez mais aumenta a consciência que a sociedade não está mais segura pelo aumento da carga policial, mas sim pela liberdade e justiça que esta usufrui. O expulsar do terror com o terror é uma solução tão perigosa como a bola de neve que aumenta enquanto desliza pela montanha
Às vezes, muitas vezes, pergunto-me, com tanta segurança, quem é que nos defende dos nossos supostos defensores? Quem é que nos defende da acumulação sucessiva dos meios supostamente defensivos?

26.8.03

Brilho Marciano
Dizem os especialistas que amanhã à noite teremos uma oportunidade única de observar o planeta vermelho – Marte brilhante vai estar mais perto da Terra. A distância será a mais curta dos últimos 73 mil anos: 55,578 milhões de quilómetros.
Tão pertinho? Ainda estou para ver, se é que vou ver alguma coisa.

Poema
Em algum momento já devem ter reparado que sou do sul e após 14 anos ainda considero a minha permanência em Lisboa como um ponto de passagem, mas isto não interessa nada para o caso, o que interessa é que recebi no mail do deslizar um poema, um poema em algarvio, embora com algumas nuances alentejanas. Mas já dizem os antigos, algarvios e alentejanos são como os cães de caça, é tudo da mesma raça. Ora bem, cá vai:

Subi acima duma arvori
para ver se te via,
como não te vi,
desci-a.


Subi a um ecaliptre
Com o tê retrato na mão
Desencaliptrê-me lá de cima
Malhê com os cornos no chão!!!


Atirê um limão rolando...
À tua porta parou...
Depois fiquei pensando...
Será que o cabrão se cansou???


Ê vi-te no tê jardim,
Andavas colhendo hortelã!
Ê ca gosto de ti,
E tu? Hãããã???


Obrigada, pelo poema e pelo riso.



Acredito
que o entusiasmo confecciona-se com vários fervores parciais.
Gosto de te ler e do que me escreves.

O Vinho
Lembro-me da refeição de ontem devidamente planeada por um amigo de critério e de confiança nestas questões. O prazer do nosso jantar foi acompanhado pelos comensais da mesa ao lado, um senhor já com alguma idade e uma senhora loura ligeiramente mais nova que o acompanhava.
Como devem calcular não vos falo de fartança animal, mas do degustar e do saborear concluído com idêntica e consensual satisfação.
Quando o gentil empregado se aproximou para nos deixar mais uma garrafa do delicioso néctar, em bom tom, a senhora da mesa do lado, surpreende-nos com o seguinte comentário:
- Gosto de poesia, porque... porque.... porque é tão poética.
Olhei rapidamente para a garrafa de vinho que estava em cima da sua mesa e posso garantir-vos que não foi o vinho, porque um bom vinho não fala assim.

25.8.03

Mudanças
Umas vezes muda para o bem e outras para o mal, mas na maioria das vezes muda, simplesmente, nem melhora nem piora, não há vantagens nem desvantagens. Há somente a mudança. Quando assim é, contento-me em deixar as coisas tão confusas como as encontrei e continuo em frente sem olhar para trás.

Realmente
É uma pena que não se consiga fotografar o espírito das pessoas.

Palavras
Como é que é possível que, por vezes, as palavras se esvaziem antes da imaginação ter concluído a sua resplandecente viagem?

Vontade Zero
O detective então avança por entre o denso nevoeiro em direcção ao rosto desconhecido, do qual apenas sabemos que se parece muito connosco. Daí o arrepio que percorre a espinha quando sentimos a sua mão firme que nos arrasta, enquanto uma voz nos diz ao ouvido: acabaram as férias, vamos Watson a aventura vai começar.



20.8.03

Corpo
físico
astral
mental
casual

uma mão, um cigarro, uma marca

Gula
Cada vez queremos guardar mais coisas. O que importa não é aquilo que se viu, mas aquilo que temos. A ânsia de açambarcar acaba sempre por se impôr e que, como tudo o resto, seja no fundo mais importante ser dono do que gozar o que se possui.

Diálogo
Ele: Repara bem no que estás a dizer?
Ela: És tu o culpado, obrigas-me a repetir as mesmas frases da minha mãe.

Medos
O medo da intensidade impede o encontro com o total.

Por cá
o clima é feito de sentimentos e hesitações.

Rescaldo
Erros, acertos, agora cada um distribuí os pontos como quiser ou como puder.
Independentemente da profissionalização dos bombeiros e da sua especialização em fogos florestais, da reparação e aquisição de meios, do planeamento e cordenação regional e local, de um sistema de comunicação eficaz, da limpeza regular e criação de caminhos de acesso e da eventual condenação de culpados que operam a título individual, alguns dos suspeitos até são reincidentes, é preciso apurar os motivos. Quem é que lucra? A indústria da madeira, do papel, da construção civil?
Quem é que paga para depois ganhar dinheiro.

Um amigo do peito
Deixa-me publicamente dar-te as boas vindas.
Publicamente, quer dizer ao ouvido, pois é assim que se partilham os segredos.

O túnel das Amoreiras
faz lembrar o Natal, é quando e onde o homem quiser.

14.8.03

Facto
Tenho saudades de não sentir saudade.

Respeito

Quando no final do dia de segunda-feira passei por Aljezur em direcção a Portimão, cidade onde nasci e vivi a minha adolescência, assustei-me com a altura das chamas que se avistavam ao longe e com a velocidade com que desciam os montes rumo à vila.
Desde então, as notícias de mais um fogo ou do avanço incontrolável de chamas que supostamente já estariam controladas, são sentidas na pele com a constante chuva de fagulhas, com o cheiro a queimado alojado nas narinas, com o som dos helicópteros que cortam o céu num desesperado vaivém e com a nuvem de fumo que paira sobre as nossas cabeças, que tapa e destapa o sol num macabro jogo de expectativas.
Do terraço de minha casa, vejo colunas de fumo, antes somente de um lado, agora, em quase toda a sua volta. É assustador. É muito assustador.
Pessoas amigas e conhecidas abandonaram as suas casas, outras vigiam os seus bens em turnos alternados durante o dia e noite, pedindo que este inferno acabe rápido e que o vento não mude de direcção, que o vento não mude na sua direcção.
O ar está pesado, mas respira-se solidariedade entre todos e a resposta da população é imediata ao apelo dos bombeiros que somente pedem meias grossas e pó talco para melhor suportar as feridas provocadas pelo excesso de horas e de calor.
Os supermercados garantem diariamente o fornecimento de água e leite e um grupo de médicos distribui máscaras pelos vários locais onde deflagram as chamas.
Mas não é suficiente, todos sabemos, inclusive os mais corajosos que arrancam sem nada nas mãos mas dispostos a enfrentar o demónio.
É terrível o sentimento de impotência. Dá raiva esta luta desigual.
Sinto uma profunda admiração e respeito por estes homens e mulheres, na sua maioria em regime de voluntariado, que sem questionar a própria vida defendem pessoas e bens.


PS. Não consigo esquecer o miúdo de 18 anos que por não querer ser pastor, resolveu incendiar o pasto para onde conduzia diariamente o seu gado.

13.8.03

Segredo
Dir-te-ei o segredo mais oculto,
o que nunca admitirei diante de muitos,
o que poucos ouvidos aguçados e limpos devem ouvir.
O mais eu do meu eu,
o que tenho de único e irrepetível,
o que mais quer, somente,
é o que tu possas ver de eu em mim.


Ver a música
Estive na Zambujeira do Mar. Eu e mais cerca de trinta mil pessoas para assistir a mais uma edição do Festival do Sudoeste.
Embora a fauna seja diversificada, predominam sempre as tatuagens e os piercings e ao longe, e muitas vezes mesmo ali ao lado, o som do djambé é constante.
Sempre gostei da concentração de pessoas, das massas que se movem em prol de um objectivo e que reagem em uníssono perante um estímulo. Naturalmente, além da partilha de um gosto, há um espírito de camaradagem, como se subitamente nascesse uma comunidade, não importando o tempo de duração da mesma.
Somente importa estar alí. Importa partilhar. Importa sentir. Importa ver a música.
The best things happen when you're dancing.




4.8.03

Viver
A vida continua a contar
é o que conta mais
e é a única coisa que conta
conta para trás, é verdade
mas também conta para a frente,
e mais e mais para a frente
até perder a conta.
Conta as coisas que passam
e as que duram
e as que voltam
e repete-se
para que seja tomada em conta.

Caminhos
A manhã é nova e fresca, o campo estende-se recém lavado, o sol avança para o seu ponto mais alto. Ao longe, grandes árvores e montes azuis, fecho a porta atrás de mim e começo a caminhada. Todos os caminhos são bons para nos afastarmos, dos mais simples aos mais extraordinários.
E caminhar, não só é bom como também é tonificante.

3.8.03

Pedido
Meu Deus, faz com que chova. Peço-te que as gotas que enviares tragam dentro de si força suficiente para apagar este inferno e também alguma coragem para abençoar os que sofrem.

Escolhe-se mais porque deseja-se menos
Deambulava ontem sobre a insatisfação nos relacionamentos amorosos, da falta de paixão existente, mas também da falta de paixão, por medo, em voltar a apaixonar-se. No entanto, este medo, não impede a procura, com alguma avidez, de alternativas, sem compromisso, que compensem a adrenalina da paixão – li algures que sexo é a saudade de sexo.
Creio que, a infidelidade funciona como estímulo sexual, não só pela eventual fantasia e o risco do imprevisto, mas também pela independência e o arrojo de sair para fora, de romper com o calor morno e rotineiro de um lar, onde a alma se forma, mas também adormece e se asfixia. Surge a necessidade de correr mundo, de ver, de explorar e experimentar o que há mais além e independentemente do medo, querer sentir, novamente, com intensidade, querer sentir que ainda pode sentir. Funciona como estímulo, mas simultaneamente desperta a saudade e a consciencialização de uma possível perda. Ou seja, tem que se distanciar do lar para poder voltar a ele, apercebendo-se disso, e sentar-se ao pé de um lume acesso com a brasa que traz consigo de longe, roubada de algum remoto vulcão.
A infidelidade é o tal risco, o perder-se, o oferecer a si próprio a ocasião do extravio.
Mas, não seria mais proveitoso resolver com franqueza a desconsolada sobriedade do que procurar a embriaguez do engano?, digo eu.

Procurar como quem deve encontrar e encontrar como quem deve continuar a procurar, diz Santo Agostinho.


2.8.03

I can't get no satisfaction, canta Mick Jagger
Tenho a sensação que, de uma maneira geral, as pessoas andam insatisfeitas e até tristes com a vida, embora a imagem exterior seja sempre a de uma aparente boa disposição.
Converso com pessoas com quem não falava à algum tempo, que por sua vez me falam de outras que não vejo há mais tempo ainda, e essencialmente tudo se resume a uma permanente, mas camuflada, insatisfação. Insatisfação no trabalho, insatisfação nos relacionamentos e até insatisfação pela rapidez com que a vida passa e por tudo aquilo que fica para trás.
Simplesmente, perderam a paixão. No entanto, e embora ainda a procurem, têm receio de voltar a apaixonar-se, e naturalmente, acomodam-se e aceitam.
Penso que temos sempre a possibilidade de ir contra a nossa melhor possibilidade, pois é aí que reside, precisamente, o sentido de chamar a uma possibilidade de melhor.
Todos precisamos de histórias, de argumentos, de maravilhas, de riscos e de proezas, mas o mais importante de tudo, é não desistir e acreditar que é sempre possível uma possibilidade melhor.
Não é a descoberta uma das maravilhas da vida?

Só pode ser o calor
Nunca me levanto para ir para a praia, mas vou para a praia quando me levanto.
Esta descoberta foi registada às 15.00h com o sol a bater directamente na moleirinha.

1.8.03

ciclo
Andamos sempre às voltas com uma série de coisas, mas tudo acaba por se resumir a: elogios para os bons, a censuras para os maus, a disputa acerca dos duvidosos, a suspeitas a respeito dos suspeitos e, no final, à congratulação geral por tudo ter acabado bem.

Homenagens
Fico sempre irritada quando reparo que esperam pacientemente pelo falecimento de figuras de referência para as homenagear.
Porque é que será que as grandes palavras e os grandes actos dão-se melhor com a morte do que com a vida? A morte prestigia-as e a vida degrada-as. Estranho, não é?

Estratégia
Actualmente quase todos os antigos ministérios de guerra e do exército chamam-se de defesa nacional e do território. Portanto, à partida, só se empunhariam armas e geravam-se conflitos por supostas razões defensivas.
Não percebo. Será que a estratégia dos guias de defesa nacional assenta no antigo ditado de que a melhor defesa é o ataque?

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