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30.6.03

eh pá, isto não é normal

A Fundação Família e Sociedade é por métodos de anticoncepção naturais, sempre. Eis uma declaração, RECENTE, duma sua colaboradora, a Drª Pilar Virgil:
" A relação da doação com a Sexualidade é a de que: O DAR-SE TEM DE SER UM ACTO SINCERO.
Quando eu me dou, tenho que DAR-ME POR INTEIRO, tenho que DAR-ME DE CORPO E ALMA.
Então, quando um homem e uma mulher têm uma relação sexual, estão a dar-se, e estão a entregar a parte mais íntima do seu ser.
Se compreendemos o significado que isso tem, como posso dar-me sinceramente, por exemplo, a um homem que conheço há dois dias? Ou, como posso dar-me, se, na verdade, no acto de me dar, vou interpor entre nós uma borracha, para evitar que me toque?
Isso não é dar-se, não é um acto sincero; é, de alguma forma, um usar-se.
Estou a usar uma parte de mim para que tu me toques, mas, na realidade, estou a proteger-me para que não me toques a mim, mas para que toques, no caso do preservativo, esse plástico. "


“O dar-se tem que ser um acto sincero” – pois com certeza, o mais que não seja durante o tempo da doação/transação. Mas também sabemos,e muito me custa ter que o dizer, que a maior falta de sinceridade durante o acto, supostamente sincero, é uma estúpida habilidade feminina.
“Dar-me por inteiro, dar-me de corpo e alma” – pois com certeza, é mais atractivo e proveitoso, no mínimo é uma atitude simpática, utilizar no processo todo o equipamento disponível, preferencialmente com algum expediente. Quando à alma, não se dá a ninguém, somente ao diabo e muito bem negociada.
"...como posso dar-me sinceramente...a um homem que conheço há dois dias?" - A sinceridade e o tempo. O pouco conhecimento de alguém ou o encontro casual de duas pessoas não é sinónimo de falta de sinceridade. Poderá ser sinceramente passageira. Não aumentará a falta de sinceridade com a permanência do tempo amoroso entre as pessoas? Grande parte das vezes justificada como “meras omissões”. Pois, pois, omitir não é mentir, dizem eles, mas elas também já vão aprendendo.
A sinceridade e a borracha. Uma estica e a outra não. Mas ambas, à partida, serão proporcionais às necessidades do momento. Uns gostam outros não. Uns usam outros não. Sinceridade para usá-la. Sinceridade para não usá-la. Tenho que admitir que concordo com a senhora, também não atino com a borracha.
“..é, de alguma forma, um usar-se.” - Esta do usar é que me parte toda.
Pois com certeza que nos usamos. Usamos o corpo do outro como o nosso é usado para a obtenção de prazer. Usar é isso mesmo, é dar-lhe uso, é servir-se de, é praticar.
Gosto de dar-lhe uso, gosto de me servir, gosto de praticar.
Eh pá, não serei normal?

Nota: A Dr.ª Pilar Vigil é médica ginecologista-obstrecta, doutorada em Ciências Biológicas, e professora da Pontifícia Universidade Católica do Chile. Pertence ao directório da "Federação Internacional Teen Star", e é directora do "Teen Star Chile". Em Setembro (2001), esteve entre nós para ministrar o primeiro curso para monitores do Programa Teen Star, organizado pela "Fundação Família e Sociedade" e pela Casa do Professor de Braga.

29.6.03

Comer ou Degustar

Confesso que sempre me precavi contra o excesso de requinte, pois temo que o apuro extremo a que se pode levar um sentimento, um gosto, uma qualidade ou uma predilecção possa conduzir a acções friamente calculadas.
Mas, não sei se acontece o mesmo convosco, eu ando muito aborrecida com a sem-sabor, monótona e desengraçada lisonja masculina do “Comia-te toda”.
Estes glutões, sem imaginação, que tentam descaradamente comer em casa alheia e que partem do princípio que tudo é próprio ou está disponível para ser comido, desconhecem com toda a certeza as delicias da gastrologia.
Ora vamos lá ver, comer não é mais do que a ingestão de alimento no estômago pela boca, mastigar e engolir. Está feito. Será um rápido momento de prazer, o alívio supostamente satisfatório de uma necessidade física.
Por sua vez, degustar é o apreciar pelo meio do paladar o sabor de algo. É sentir-lhe o cheiro. É um provar pausado que implica todo um ritual de preparação. O gozo não é o deglutir mas a volúpia dos sentidos.
Comer, até se pode comer sozinho, mas degustar não, exige companhia participativa.
É aquela pequena/grande diferença entre fazer um petisco e confeccionar um petisco.

Como diz Laroche: “ Nunca comer, degustar sempre”.

Desejo a todos os apreciadores , neste dia chuvoso, uma degustação comemorável.
Aos outros, comam que nem uns porcos.

26.6.03

Momentos
Momentos que duram alguns segundos numa súbita cumplicidade de um roçar de olhos.
Momentos que duram horas numa crescente cumplicidade de um roçar de peles.
Momentos que duram dias, numa destemperada cumplicidade de um roçar de seduções.
Momentos que duram uma vida, numa sentida cumplicidade de um roçar de almas.
Momentos Cúmplices. Cumplicidades Momentâneas
Gosto deste roçar de pessoas. Gosto de Cumplicidades. Gosto de Momentos.

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