<$BlogRSDUrl$>

31.7.03

Causas
Os antigos costumam dizer que o homem caído já não é de ninguém, excepto do céu que o viu morrer ou da terra que encheu a sua boca.
É assustador os homens que procuram e aceitam a morte em prol de uma causa, de uma ideologia ou de uma paixão e como a sua atitude se transforma em profundo e nobre acto por aqueles que também a defendem.
Vai sendo cada vez mais fácil encontrar homens dispostos a morrer dignamente do que a viver dignamente. Dá medo.

Que bom
tenho mais um amigo na blogosfera, o sensual e traquina Jack, com quem sempre partilhei intensidades e paixões.

Querido Amigo Filipino,

Escrevo-te para que a tua marca já tatuada na minha pele fique assinalada neste livro aberto do meu sentir.
Quero dizer-te que nunca esquecerei o desenho do teu sorriso quando me acenaste pela primeira vez, e como timidamente nos descobrimos em cada palavra destapada.
Lembras-te, quando as estrelas brilhavam, e nós pela noite dentro, revelávamos a nossa mescla de sonhos e medos, enquanto nos seduzíamos com a polpa dos dedos?
É no toque suave e aconchegante da tua voz que me amparo quando te ausentas e a saudade me aperta o peito, e é no teu riso que procuro o lenço que tantas vezes limpou o sal das minhas lágrimas.
Desculpa-me por todas as palavras que por descuido não te disse e por todas aquelas que por distracção não escutei.
Não te esqueço. Nunca esquecemos as pessoas importantes. Tu és importante. Nunca o esqueças.
Um beijo

P.S. Supostamente, encontramo-nos nas areias quentes do sul...

29.7.03

Antes de ir tive vontade de voltar

Para falar um pouco sobre o que todos falam e que todos calam – O Amor.

Falar a verdade é falar de verdade.

Falar de amor, do nosso amor, é contar o que ninguém viu, é contar o que alguém sonha, é contar o que tememos que aconteça, é contar aquilo que esperamos, é dizer ao outro aquilo que ele quer ouvir.
Não é a verdade, não é a grande e única verdade, mas sim, a minha verdade, a tua verdade, a outra do outro e mais outra e muitas mais.
E neste contar de contos de amor só a narração é rigorosa, porque só ela admite sem corar, que poderá ter sido inventada do princípio ao fim.
Falar do amor fundamentará o próprio amor? Todo o amor que reclama ser contado, não poderá muito facilmente tornar-se forçosamente fantástico?
Só a fantasia compreende o que do amor se pode contar e o que no amor quer ser contado.

Falar a verdade é falar de verdade.
Quantos se atrevem a falar de verdade sobre a verdade do seu amor?

As palavras de amor inspiram-se nas lendas maravilhosas, na audácia das histórias de aventuras, na confiança do homem em si mesmo, ou de cada homem em si mesmo e também, dos homens naquilo que todos os homens têm de humano. É esta forte e profunda confiança que o leva à procura do final feliz. Quem é que desdenha o simples ensejo do acabar bem de qualquer conto, lenda, poema épico, romance ou história de aventuras?
Estas palavras de que falo, ilustram os sonhos dos adolescentes, mas também nos acompanham ao longo da nossa vida, e simplesmente entregamo-nos ao feitiço, ao desafio e às promessas do possível.
É a tentação da palavra do amor que atrai e repele ao mesmo tempo que seduz e assusta. É pelas palavras de amor e com as palavras de amor que viaja a nossa alma, e também se arrisca, se compromete e se regenera.

Falar a verdade é falar de verdade.




28.7.03

Até já
O espirito humano deste blogue atravessa um mar imenso e insondável habitado por monstros tenebrosos e dobra, com alguma lentidão, o Cabo das Tormentas, em busca de novas descobertas no interior de si mesmo.

Pelo que,

ESTE BLOGUE ENCONTRA-SE ENCERRADO PARA BALANÇO, SEGUIDO DE UM PERÍODO DE FÉRIAS PARA DESCANSO DE AMBOS.

Voltarei, naquela hora especial do dia quando todos menos esperarem, e muito provavelmente, eu também.


Procura-se
Dizem os entendidos na matéria que dentro de nós existem vários eus. Eu só conheço, e mal, o meu eu, mas estou decidida a descobrir no meio de todos os outros eus, o meu outro eu, aquele que é um pedaço menos estúpido e um pedaço mais impiedoso do que este eu.

Pomada
Nos momentos de maior aperto ou quando a mágoa me aperta o peito, deslizo rumo ao sul em busca do aconchego na outra ponta do cordão umbilical. Estas viagens às origens, sempre foram e acredito que sempre serão um bálsamo, como se todo o corpo fosse besuntado por uma bisnaga inteira de pomada de concentrado de carinho.

24.7.03

Requintes
O que não falta cá no nosso Reino são Príncipes e Princesas com vocação para confundir soberba com requinte. Perco a paciência quando me cruzo com estes requintados cheios de não me toques de bom gosto papagueando sobre a sua excessiva sensibilidade, mas de intelecto reduzido e constantemente atacados por uma amnésia de boa educação com o seu semelhante.
Estas finas e delicadas criaturas obedecem a uma série de preceitos por elas definidas, mas cujo objectivo principal é sempre ser o centro das atenções, o deslumbrar, e é assim que vivem, deslumbrando-se uns aos outros.
Esquecem que receber e dar palavras de franca amabilidade é sem dúvida uma das formas mais aristocráticas de afecto.

Passatempo
Eu passo o tempo à espera que o tempo passe.
Tu passas sem tempo no tempo que passa.
E o tempo passa em forma de passa tempo.

Causa Efeito
Há emoções que curam a ferida da individualidade, mas causam dano aos privilégios.

23.7.03

Lapso
Ontem, não referi no meu post - Blogando - a descoberta do destemido pulha. Embora faça o culto do mau feitio só pode ser um querido, utilizando uma expressão da Menina Amélia.

Bem Mau
Isso não está bem ou isso não se faz porque é mau, são frases que ouvimos desde a mais tenra idade e que posteriormente repetimos com bastante frequência. Ainda hoje de manhã uma senhora, presumo que mãe, acabou por dar uma palmada a uma criança por esta não querer dar o tradicional - dá lá um beijinho- à  suposta amiga dela. E voltei a ouvir a lengalenga do isso não está bem e é mau não dar o beijinho.
Porque é que chamamos de Bom, e porque é que chamamos de Mau a um determinado comportamento. Devemos fazer o bem porque isso está bem ou porque é útil
Aquele beijinho era útil? Não me parece. A palmada foi útil? Não me parece.
Também não me parece que aquela senhora tenha tido um bom comportamento. Tive vontade de lhe dar uma útil palmada, mas mais uma vez, portei-me bem.

Apetece-me
Acordar com a fragrância inconfundível do mar num postal pintado com o sol e viajar sem hora marcada numa vista de perder de vista.
Saborear o reencontro dos amigos num prato de histórias para contar com a areia quente colada à pele.
Adiantar a escolha do meu próximo desvio.

22.7.03

Blogando

As referências e os mails sobre o que escrevo são uma estimulante satisfação, mas cada vez mais me preocupo com as palavras que levam o meu sentir. O processo é viciante, mas também é doloroso, quando não alcanço o caminho e muitas palavras ficam perdidas à espera que alguma citação ou estímulo as guie.
Revelo nesta página pública mais do que aquilo que falo em privado, o que não deixa de ter a sua piada, embora a exposição ainda me intimide. Mas seguramente será algo que conseguirei superar, talvez, por escrito.
Os resultados podem não ser grandiosos, mas as descobertas, as minhas, e principalmente as dos outros, surpreenderam mais do que estava à espera.

O importante é descobrir, blogando a partir da história, da ciência, do desejo ou do divã:

uma cumplicidade
uma afinidade
uma suavidade
um pensamento
um sorriso
um beijo
uma paisagem
um agradecimento

Uma música
O meu sentir para o meu gostar.

B-Line

It's in
Your eyes
And the way you move
You got music in your step
A kind
Of glow
Like you walk with the heat turned up
So brightly above

Suddenly I see
Everytime you walk in the room
No escape for me
Everytime you're close to me

If I could just
Compose myself
I'd radiate just the right amount of cool and heat
So you'd never know
How I tremble to touch you

Suddenly I see
Everytime you walk in the room
No escape for me
Everytime you're close to me


21.7.03

Penso em Ti
neste rio do sentir
a saudade afoga-me
o que não daria eu
para partilhar o agora
ao sabor de um abraço
no aconchego de uma música

Sem Crítica

Não concordo, filosofia e bolachas, quando falas em muros, mas gostei do implicar, eu também gosto de implicar e de, à  partida, nunca concordar. Dar luta, é bom e obriga a pensar.

Mas creio que estamos de acordo no seguinte: vivemos numa época de predomínio dos críticos sobre os artistas, da escravidão dos prazeres aos comentários que os acompanham e os recomendem. E, infelizmente, isto não faz com que a qualidade do que se oferece aos nossos desejos e gostos melhore, mas, digamos, é cada vez mais fácil enganarmo-nos. (ai meu deus, o que eu disse, lá vem mais discussão).
Tenho um amigo que diz: quem inventou as etiquetas para legitimar os produtos é que é o maior culpado e tornou-se automaticamente o pai de todos os falsificadores, e quem assinou a primeira obra de arte submeteu a beleza ao controlo de origem. Cada vez mais concordo com ele, mas admito, é discutí­vel.

Não sei se alguém se interessou pela nossa troca de palavras sobre este assunto, nem me importo com isso, mas sei, que gostaria de receber sugestões tuas sobre música, sugestões para descobrir novos gostos.

PS. Também vivo num meio isolado, dizes-me. Posso perguntar, de onde blogas?


É a vida
Eu sei, que a viver só a vida ensina, mas deveria existir uma ciência que estudasse a vida, e depois editava um guia para nos ensinar a compreender as coisas que se dão, e as que não se dão, na vida.
Era bom que nós tivéssemos o direito a fazer reclamações, eu exigiria perante quem de direito, que a vida não me ensinasse com a própria vida.

Metereologia
No céu do silêncio,
No pegajoso e asfixiante calor do pensamento
permanece sem tréguas o relâmpago eterno da tua presença.
Reproduz-se sem cessar,
alcança a permanência
na minha paisagem.

20.7.03

Não se apoquente Senhor Aviz, pois

existirão sempre aqueles que, com medo do sentimento acabam no cinismo, com medo da retórica tombam na esmorecida monotonia, com medo do entusiasmo perdem-se na esterilidade da ironia, com medo do romantismo, percipitam-se na seca e gelada pedantice.

São medos, caro senhor, são medos que carregam no regaço. E esta será a sina.

Fretes II
Avisaram-me que a minha falta de paciência para os fretes poderia não ser só uma questão de idade, mas também de corpo. Já não ter corpo. Já não ter corpo para o frete, entenda-se. Está bem visto e dou-te razão, pelo que se impõe a respectiva correcção:
Não consigo estar por estar. Além da falta de paciência, já não tenho idade para dar desgostos ao corpo.

Fretes
Há cenas na vida que são exactamente como certas peças de teatro: uma pessoa não sabe porque motivo foi vê-las, chateiam um pouco, mas não o suficiente para decidir sair.
Mas pior de tudo é quando queremos mesmo sair e há sempre alguém que se empenha teimosamente em ver, e por norma vê sempre, um pouco mais do que há e do que não há.
Não consigo estar por estar. Não sei se é a idade, mas já não tenho paciência para fazer fretes.

Gosto de TI
Gostar de alguém é correr riscos.
É assumir a possibilidade de perder-se.
É oferecer a si próprio uma oportunidade de extravio.
E agora? O que faço?

19.7.03

Crítica III
filosofia e bolachas, desesperadamente te respondo:

A arte já não é um processo de produção de objectos, mas um emissor de imagens segundo determinados ritmos em série oportunamente programados. O acto estético não se conclui com a criação de um determinado objecto ou obra por parte do artista, mas com a fruisão por parte do indivíduo e da sociedade , do mesmo modo que o acto económico não é apenas produção, mas também consumo.

A operação artística já não visa produzir objectos nem modelos de valor; os artistas, julgo, querem proporcionar à  sociedade modelos de comportamento estético. É impossível entender o sentido e o alcance dos factos e dos movimentos artísticos contemporâneos sem ter em conta a literatura crítica que a eles se refere. De resto, uma parte considerável dessa literatura deve-se aos próprios artistas, que frequentemente sentiram a necessidade de acompanhar, justificar e sustentar a sua obra.

Desde sempre a crítica não tende a divulgar mas a restringir a fruisão do valor artístico a um circulo de espíritos eleitos, de pessoas de cultura; uma vez que nesse círculo se integram aqueles que, pela sua condição social, estão em posição de exercer influência sobre a produção artística , a crítica tende ( e muito) a orientar o gosto, no sentido de criar condições mais favoráveis à afirmação da tendência artística considerada de dar os melhores resultados.

O crítico é de entre os observadores o que eventualmente poderia estar mais próximo do artista, mas isso só acontecerá se não existir persuasão, mas comunicação. Dos meios de informação, e especialmente da imprensa, a crítica teve e ainda hoje conserva uma importância decisiva nas correntes artísticas, contribui sem dúvida para o seu êxito e poderá ser a causa principal da sua decadência. Acelerar o consumo de algo implica a sua substituição, provoca caprichos de moda, para não falar na conivência com o mercado artí­stico e com as suas manobras.

Respostas às respostas:

Não concordo, e dou o exemplo dos actores de teatro e de cinema, o melhor não é aquele que mais diversificadamente se transforma, que consegue ser menos reconhecível. O grande actor é sempre ele mesmo, o que não quer dizer ser sempre o mesmo. São personalidades características e ao mesmo tempo versáteis. Dão o seu cunho a todas as suas interpretações.

Ao contrário do que dizes, eu não dou demasiada importância, eu afirmo que a crítica tem importância e influência os gostos do público, e não concordo quando dizes que muito poucos se interessam pelos comentários da crítica.

Já percebi que és um apaixonado pelo teu trabalho e tens todo o meu respeito e admiração, mas antes de continuarmos com esta discussão gostaria muito que a tua análise não tivesse como base o mercado americano, mas sim o português, que as referências não fossem o All Music Guide ou Village Voice, mas a nossa imprensa e a nossa tabela de vendas e, principalmente não olhasses somente para o mercado da música, mas também para o teatro, dança, exposições, livros e cinema.

Em silêncio, clamo por TI
O meu pensamento gostava de embrenhar-se num qualquer mundo onde te pudesse encontrar e sentir. Fecha os olhos.


18.7.03

Ameaça
Caros Senhores do Blogger.com, prenúncio algum perigo no vosso estado de saúde, caso não sejam mais cuidadosos com a vigia e defesa do meu Blog.
É de uma crueldade atroz deparar com o nosso Blog vazio, sem qualquer explicação ou aviso e hoje, assim estava o meu, assassinado.
Admito que muito dificilmente aceitaria qualquer tipo de explicação, e para que tenham ideia da dimensão do sofrimento, imaginem o vosso gerente de conta dizer-vos que tinha perdido todo o vosso dinheiro. Atenção, não se pode brincar assim com a vida das pessoas e dos blogs.
Certa de que a ameaça contida nesta missiva surtirá algum efeito e consequentemente, evitaremos algumas chatices e porrada também, despeço-me cordialmente, mas desconfiada.

Adeus
Vais chegar atrasado, como sempre. Tinha-me esquecido desta tua particularidade e que tantas vezes foi o motivo de discussões. Já não tinha mais lágrimas para secar quando chegavas, os meus braços caídos recusavam o abraço tardio e até as novidades perdiam o sorriso.
Acendo um cigarro enquanto espero. Depois de tantas vezes o ter recusado, não me é clara a razão pela qual acedi ao pedido deste encontro.
Dois cigarros foi o teu tempo, não espero mais. Sei, que a qualquer momento, aparecerás em largas passadas e ainda distante, pedes desculpa em voz alta. Trazias sempre contigo flores e é por isso que nunca mais acreditei em rosas.
Escuto o meu nome na tua voz que me chama e viro-me antes de atravessar a rua. Olho as flores que trazes na mão. Ainda te conheço. Estagnas quando encontras os meus olhos. Ainda me conheces. Digo-te um adeus sem palavras, mas ao virar-me tenho a sensação que vi uma lágrima. Uma lágrima, também esta, atrasada.

Solidão
Alguém disse que a grandeza de um espírito mede-se pela quantidade de solidão que consegue suportar. Se assim é, eu devo andar mais ou menos pelos dez centímetros, que segundo as minhas contas, corresponde aproximadamente ao tempo que necessito, diáriamente, para a minha higiene interior. Talvez, por me relacionar assim com a solidão, temo estar sozinha. Estar sozinha, como hoje, é estar sozinha de ti.

Entrega
Confio mais nos sonhos a dormir do que nos sonhos acordados.
Os sonhos a dormir são mais importantes e deslizam sem impurezas.

Sem citações
Devo a ti, ao teu sentir e como te sinto, e as palavras, feitas do mesmo enredo com que se fabricam os sonhos, deslizam.

17.7.03

Crítica II
Ora BOLAchaS, o que te que quero dizer é que o conceito existe (e graças a deus vai evoluindo ao longo do tempo, ou pelo menos a abordagem), mas, e daqui não saio, a crítica deverá ser encarada como uma disciplina autónoma e especializada que deverá operar segundo metodologias próprias na interpretação e avaliação (aqui, é preciso definir até que ponto) das obras artísticas.
É notório o peso cultural da crítica de arte nos nossos dias, o que demonstra que esta responde a uma necessidade objectiva, pelo que nunca poderá ser encarada como uma actividade secundária, mas sim auxiliar da própria arte.
As obras artísticas foram e sempre serão objecto de juízos de valor, e assim sendo, estes não deverão ser feitos por qualquer um, ou caímos, no que é habitual, numa passagem de gostos pessoais grande parte das vezes condicionadas por amizades, interesses e/ou condicionalismos da moda ou inclusive provocação da própria moda.
Há críticos e críticos, dizes tu, é um facto. Eu até diria, bons críticos são muito poucos, os que se julgam como tal, são muitos.
Quer se queira ou não, a crítica é necessária à produção e afirmação da arte e, a meu ver, é a ponte entre os artistas e o público, entre os produtores e os usufruidores. Esta mediação é de uma importância extrema quando se pretende que a arte seja acessível a toda a sociedade e deverá ser, assim, uma interpretação “justa”, cientifica e de qualidade, a qual seria válida para todos sem distinção de classes, pelo que implica que o crítico não deduza a partir de modelos, mas através do processo expressivo: continuidade e coerência.
Já me disseram que é muita utopia. Talvez.

E volto a repetir, Gosto de Sugestões e Não Gosto de Imposições.

E agora vamos ao que realmente interessa, espero que faças uma boa viagem e que te divirtas imenso. Não acho que sejas freak ou ingénuo por teres um webfriend e não te preocupes muito com as opiniões dos outros. Gostos e cumplicidades não se explicam, sentem-se.
Bem Haja!

Hoje estou atoleimada, que é a combinação, mal explicada, da tolice com a teimosia. Tola teima na tolice. Isto está bonito, ai está, está. Só pode ser tensão pré-menstrual. Desculpa, realmente, que tolice.

Gostei desta ideia e gostei de ler este artigo

Par ideal
Comprei um caderno novo, de linhas, como os que tinha na altura da escola primária, pois o bloco de notas que me acompanha, dentro da mala, para apontar as coisas que me passam pela cabeça, estava desfeito e não correspondia às exigências da coisa.
À solta e a vermelho, na capa do meu caderno novo, está o seguinte:
do something different,
ultracool
someplace cool
virtual refreshment
you’re likely to find it in here somewhere
someplace fun
someplace refreshing
someplace else
enjoy the real thing
Estou segura que é o par ideal para o meu blog.

Brilho
Bebia a bica, ao balcão, no café da rua, quando entrou uma senhora completamente ofegante que decide partilhar, em bom tom, o seguinte: Está calor! Já estou toda suada!
Ai, ai, ai, diria a Senhora Minha Avó, quem sua é cavalo.
Os cavalos suam, os homens transpiram e as senhoras, eventualmente, brilham.
Tenho saudades da Senhora Minha Avó, era uma grande e perspicaz amiga.


Reencontro
Há sempre o perigo da decepção quando reavemos amigos de infância, do tempo de liceu ou de outras peripécias que marcaram a nossa juventude. A intimidade desaparecida muito raramente volta e o que foi fascinante pode deixar um sabor amargo na boca, que aumenta quando até as novidades não criam nenhuma afinidade. Mas, cacete, é de uma satisfação imensa quando se passa a prova do reencontro e independentemente do tempo e da distância tudo permanece vivo.
Foi muito bom reencontrar-te, meu novo velho amigo. Ah, não te esqueças, cria um Blog.

16.7.03

Dividir para Reinar

Constato que, cada vez mais, o Dividir para Reinar é a estratégia adoptada para satisfazer uma sede descontrolada por poder e, em muitos casos, para camuflar a própria incompetência e insegurança.
No início, se detectado é possível travar o mal, mas à medida que o tempo vai passando e aumenta o apuro e o requinte da maldade, muito dificilmente se controla ou elimina o estratega.
Estes indivíduos caracterizam-se por uma inata agressividade humana e sistemáticas manifestações violentas em estúpidos arrebatamentos individuais.
Discretamente, promove e observa as discórdias, e, de imediato surge para lhes dar remédio. Sabe que a discórdia enfraquece e dispersa os colaboradores mais próximos, e assim, nunca lhe poderão ser nocivos, e os outros, os de menos estatuto, muito facilmente se aquietam com receio de represálias ou eventual dispensa. Durante o processo tenta conservar seguros e protegidos os seus amigos, desde que, estes não ponham em perigo a sua escalada, pois se o fizerem, muito rapidamente passarão a inimigos. Evitam a todo o custo a intromissão de qualquer elemento exterior à sua organizada teia, mas se tomam consciência que o forasteiro é detentor de poder e que poderá perigar o desenvolver do ardil, recorrem astutamente à mentira e à imagem da desprotegida sedução, apresentando-se com uma sinceridade quase digna de agradecimento e sempre como um ardente e apaixonado pela paz. Os outros é que são agressivos e implacáveis e, principalmente, não compreendem o seu árduo empenhamento, não lhe deixando alternativas, pelo que tem sempre justificação para o recurso à violência verbal e psicológica. A informação restrita e deformada e a maquiavélica paciência são outras características destes vermes, que esperam na sua teia bem montada, que a presa se aproxime o suficiente para o golpe final e assim, se afirmar livremente.

Aquele que dá azo a que outro se engrandeça, arruma-se a si próprio , já dizia Maquiavel .

PS. O quartodopulha tem um post interessante sobre vermes

15.7.03

A mesma perspectiva?

São ambos apreciadores de artes e gostam de música. Vagueavam pelas palavras um do outro.
Ela, é produtora, ele, filosofia e bolachas é crítico.
Eis a frase da discórdia (será?):
É por isso que não gosto dos críticos que tentam convencer-me com os seus ares de especialistas, que devo gostar mais disto e gostar menos daquilo, que posso perder isto, mas é impensável perder aquilo. (post Pleased to meet you)

A crítica, e assim está definida, é a arte de julgar o mérito das obras literárias, artísticas ou científicas, é o exame e a apreciação que se faz de uma obra, pelo que, discordo que a encare como uma arte menor, pois poderá ser um óptimo pretexto para que, levianamente e publicamente, qualquer um possa avaliar a arte de outro.
Reconheço, é mau despejar um conteúdo sem crítica, mas não me parece muito melhor despejar um crítica sem conteúdo. Enquanto os críticos insistirem em ensinar, em lugar de transmitir tenho sempre a sensação que estão a querer impingir-me o seu gosto ou até a moda do momento.
Acredito que transmitir de uma forma mais ou menos descritiva, e com honradez, um determinado conteúdo, e sim, poderá ter alguns piscares de olhos sedutores ao leitor, será o mais aconselhável. Filosofar e impor um gosto pode à partida inibir em lugar de estimular.
Não gosto (entenda-se, é o meu gosto) das críticas que a todo o custo tentam encontrar o significado e o sentido de algo, pois arriscam-se, muitas vezes, que o resultado seja um significado sem sentido.
O crítico deve ser, digo eu, um estimulador, convidando os outros a experimentar um pouco de tudo, a saborear e a seleccionar, sem estabelecer requintes às coisas simples ou depreciar as que considera grosseiras.
Reconheço também, que um certo toque de preferência é inevitável.
Crítica boa e crítica má? Tenho que pensar no assunto. Não sei o que significa. Pois, já vi muitas críticas más venderem mais bilhetes para determinados espectáculos do que muitas linhas de uma crítica boa.


Ps – Sempre gostei de esquilos e gosto do que escreves Daniel.

Deslizar

grito no tempo,
prisioneira dos caprichos do tempo,
mas contra o tempo.

clamo no silêncio,
vagueando na fantasia do silêncio,
mas contra o silêncio.

sussurra-me palavras desvairadas ao ouvido e em suaves movimentos mordisca a minha sede.

14.7.03

Pleased to meet you

Há algum tempo, quando escutava uma das minhas músicas de carpir preferidas, alguém que também gostava de Nick Cave, disse-me que nunca nos devemos apaixonar por uma pessoa que não gosta da mesma música que nós.
É curioso, mas com maior facilidade desculpamos os atrasos consecutivos, as variações de humor, a falta de atenção, os telefonemas fora de horas e as crises existenciais daqueles que gostamos, do que uma crítica ou uma gozação ao nosso gosto.
Naturalmente criamos uma maior afinidade com aqueles que partilham o nosso arrepiar de pele quando escutamos a mesma música, que acompanham o nosso bocejo ao ver a sequência de imagens despropositadas de um filme e que sem palavras, são cúmplices de um olhar ou de um sorriso. O gosto de alguém não se explica, pode-se sim, explicar as razões da escolha, e essas até podem ser analisadas e discutidas, mas não o gosto.
Não somos mais do que aquilo que escolhemos e o gosto funciona como uma entidade.
Como posso partilhar o meu gosto com alguém que não o sente da mesma maneira?
É por isso que não gosto dos críticos que tentam convencer-me com os seus ares de especialistas, que devo gostar mais disto e gostar menos daquilo, que posso perder isto, mas é impensável perder aquilo.
Gosto do meu gosto e de todo o gosto que ainda posso descobrir

13.7.03

Sabes,
desarrumas-me o pensamento e arrumas o meu sentir, num total desconcerto.
Sim, tu.


Penso eu de que

A revista Única do Expresso deveria esmerar-se um pouco mais na escolha dos seus artigos e, principalmente, definir temáticas e objectivos para as suas entrevistas de destaque.
Esta semana, a Filomena Pinto da Costa, além da foto na capa, relata em dez páginas a sua desanimada vida com o Pintinho, refere-se à lourinha do JPC como "a outra" e de caminho, fala dos problemas da filha em aceitar a situação, esquecendo que as imagens e o seu relato afectarão seguramente mais a adolescente que a amante do pai.
Nunca consegui perceber esta lavagem de roupa suja em hasta pública. É moda? É bem qualquer desacato doméstico de figurinha pública ter direito a destaque na comunicação social? Como é que isto funciona? Pagam ou são pagos?

O Pintinho nunca me enganou e segundo as palavras da FPC, a ela também não, ou seja, nunca a enganou que a enganava. E eu com isso.
De qualquer forma, destaco as informações mais importantes de dez páginas de entrevista:

Ela
1. sente-se humilhada e ofendida.
2. é amiga de Luís Filipe Vieira e acha que pode estar a ser usada pelo Benfica, mas no bom sentido, e é a realização profissional que a move
3. acredita que a exposição é a melhor atitude para defender a filha
4. quer passar para a opinião pública o comportamento indigno de JPC

Ele (segundo ela)
1. ficou com o dinheiro de cinco contas conjuntas e obras de arte do casal
2. tem um problema de dupla personalidade.
3. é viciado em mulheres e gosta de jogar na bolsa
4. era agarrado ao dinheiro e agora está um mãos largas

A outra (é a outra)
1. Comprou-lhe um cocker para substituir o Bobi que ficou com a Filomena.
2. Comprou-lhe um gato parecido com o Tareco que ficou com a Filomena.
3. Já recebeu um Mercedes SLK descapotável e um jipe BMW.

Pois, o Pintinho está entregue ás bruxas... mas cada um tem aquilo que merece.

Melancolia

Meu Caro Senhor,
Após algumas tentativas, sem sucesso, em responder-lhe por e-mail, opto por deixar a mensagem via e-blog, acreditando que me visitará brevemente.
Agradeço as doces palavras transmitidas em excessivo elogio, embora o meu ego as tenha recebido sem qualquer reserva.
Contrariamente ao que supõe não sou especialista em devaneios da alma e muito menos em mezinhas para aliviar os males do coração, apenas tento descodificar os sinais e alertas do meu, e caro senhor, grande parte das vezes uma tarefa inglória.
Peço-lhe que encare a dor que o consome como um sentimento de maior qualidade e profundidade do que a vulgar tristeza que invade os seres por futilidades.
O seu sentimento não é um mero esgotar após o êxtase, mas sim o acesso a uma consciência diferente, que de certa forma sentiu o seu esplendor e que o guardou na memória, e por isso, tem consciência da perda mesmo antes de sentir a falta.
Digamos, caro senhor, que é a melancolia do irremediável de que não nos podemos queixar, mas somente constatar ironicamente de que lamentavelmente tudo tem que acabar.
Será que a poderemos chamar de melancolia satisfeita?
Lamento não poder indicar uma poção ou um conjunto de pózinhos que em percentagens estudadas e bem misturadas seria o remédio eficaz para sarar o mal, mas comprometo-me desde já, a informá-lo de qualquer descoberta pessoal de jeito sobre o assunto.
Desejo, meu caro senhor, que rapidamente ultrapasse esse doloroso estado de alma e encontre o que mais desejar.

12.7.03

Estou aburrimierda* com a falta de sol.

(palavra inventada pelo escritor Camilo Jose Cela que significa mais do que aborrecido e menos do que desesperado)

Hoje

Parece que foi ontem, mas nunca mais será ontem.
E para mim, nunca mais voltará a repetir-se amanhã.
Mas poderia ter sido ontem.

11.7.03

A verdade

Ele: Se eu fosse gordo como o gajo que está sentado na mesa ao teu lado direito, gostavas de mim na mesma?

Resposta: Sim, porque gosto de ti. Gosto de Gostar Mesmo. Sim, porque a minha pele suplicaria o teu toque e as minhas entranhas clamariam pelo teu sentir.

Citações
Porque é que usas tanto as citações?, perguntavam-me ontem.

Cito Novalis: Nenhuma palavra está completa. As palavras ora são vogais ora são consoantes, palavras que valem por si próprias e palavras que valem por acompanhamento.

As citações, as minhas, são bengalas que suportam o caminhar de palavras deficientes.


10.7.03

Stress

O consumo de medicamentos para combater o stress duplicou nos últimos cinco anos e segundo consta está em franca expansão. Isto é mau.
Eu bem desconfiava que o número de mal encarados, de arrogantes apressados, de maus tratos às crianças, de insultos estúpidos e de estúpidos insultantes e claro está, de expressões à pipi no pópó * tinham aumentado consideravelmente, e tudo leva a crer que vai aumentar ainda mais. Isto é muito mau.
Por favor, se suspeita que poderá ser um exemplar de uma das espécies acima referidas, não perca a esperança e siga de imediato para a Fil – Parque das Nações onde está a decorrer, até sábado, a 24ª Conferência Internacional sobre Stress e Ansiedade. Isto pode não ser mau.

Por sua vez, na Tailândia já vão nos módulos práticos de combate ao stress para automobilistas. O ministério da Saúde lá da zona decidiu abrir salas de massagens nas estações de serviço para alivio das tensões causadas pela longa permanência ao volante.
A terapia muscular administrada por massagistas preparados pelo Departamento de Medicina Alternativa e Tradicional poderá ser usufruída, durante uma hora, pelos condutores e respectivos passageiros. Não, não é à borla, o que está mesmo muito mal.

Já estou a imaginar o sucesso cá no Burgo destas terapias musculares e quase aposto, que os parques de estacionamento das nossas bombas ficariam apinhados, e se as técnicas da terapia fossem as próprias tailandesas, bem, aqui aposto mesmo, era só ver o tuga ou grupinhos de tugas em Ford Transit (na sua versão popular) sempre a alijar. Isto poderia ser bem divertido.

* acredito piamente que tirar macacos do nariz é uma auto terapia a que muitos stressados recorrem para minimizar o sofrimento.

Quero ser fria e implacável como um bisturi
E tão arrebatadora como a possessão diabólica
Sonho com vertigens afectivas
Ambiciono o inapelável
Preciso de me destrambelhar até ao delirio
Em loucura controlada

Era uma vez uma coincidência que fora dar um passeio na companhia de um pequeno acidente, enquanto passeavam encontraram uma explicação tão velha, tão velha que estava toda encurvada e enrugada que parecia uma adivinha.

Poderá parecer absurdo, mas consigo adequar esta frase de Lewis Carroll a uma série de circunstâncias da vida.

9.7.03

Strip-tease

É deplorável que o meu Post de hoje não tenha qualquer citação, pelo que, desde já apresento as minhas desculpas. Decididamente tenho que resolver esta minha desordem mental, pois não alcanço quem comparou a escrita ao strip-tease, mas se perco mais tempo com isto não sustento o meu blogoshi e eu também não vou almoçar.

Por conseguinte, e tendo em conta esta comparação, a escrita será um acto de exibicionismo do artista, que numa cobiçada dança de palavras sedutoras enfeitiça ávidas percepções, mas nunca renegará para segundo plano, digo eu, uma coreografia provocadora assente em pavoneares de lantejoulas especulativas.
Até aqui tudo bem. A questão é que nem todos os strip-tease conseguem definir e potencializar a sua capacidade erótica, seja por falta de atributos, de conhecimentos, de empenhamento ou simplesmente, porque não descobrem uma (a sua) melodia estimuladora. No entanto, teimam dia após dia, independentemente dessa teimosia poder desembocar na impotência ou na ejaculação precoce.

Como devem calcular não vou referir quais as dúvidas que terrificam a minha mente neste momento.

8.7.03

O meu Blogue

Quando ontem à noite vasculhava avidamente os blogues alheios, pensava como poderia justificar racionalmente esta nova e minha libertinagem. Vício, estava decidido, seria o título do post de hoje e mentalmente alinhavava o seu conteúdo. Mas, na satisfação da minha bisbilhotice de final da manhã, que nem drogadita em busca da sua dose, cruzei-me com aesquinadorio e por um triz não desisti. Primeiro, porque seria mais um post sobre blogar, depois porque me senti exposta e por último, mas não menos importante, fiquei a pensar sobre o recurso das citações, e eu até já tinha uma bem catita de Hermann Broch que, sem aparente dúvida, afirmou: a escrita é sempre uma impaciência do conhecimento.
Que se lixe, este é o meu blogue , portanto não só vou seguir de acordo com o previsto, como também vou repetir a citação do Hermann e mánada.

A escrita é sempre uma impaciência do conhecimento

Talvez seja esta impaciência que justifica a minha necessidade de abrir esta página diariamente, esta ansiedade de prestar contas e de dar-me conta. Inconscientemente, digo eu, estabeleci um compromisso, o compromisso da explicação, com um blogue, com o meu blogue. De repente, torna-se inevitável não guardar (para si) a informação, mas ao mesmo tempo, denoto uma cautela em não nos pronunciarmos sobre temas que desconhecemos ou enveredar por áreas que não dominamos, talvez com receio de ser abordado com questões para as quais não teríamos resposta. Mas poderia ser interessante, pois implicaria um esforço suplementar, a pesquisa, a partilha, a discussão e consequentemente a aprendizagem.
Como poderão constatar a minha bagagem é reduzida e confesso que o blogar combate a preguiça mental, obriga-me a pensar, a ordenar e a catalogar ideias, a criar uma base de dados, supostamente mais funcional, e a ler. E é aqui que está a base do vício, parece que fiquei farta daquilo que sei, quero ir mais longe, quero experimentar e aventurar-me neste desenvergonhado capricho.
Acreditem ou não, mas não foi à procura de referências ou de qualquer tipo de destaque que, há quinze dias atrás, me levou a iniciar um blogue. Interrogo-me sobre o desafio e sobre as expectativas, mas é engraçado mencionarem o que escrevemos, principalmente quando não tínhamos a certeza do que escrevíamos ou se o queríamos manter escrito.
De repente, lembrei-me daquela maquineta japonesa Tamagoshi que tinha que ser alimentada diariamente ou morria. O meu Blogoshi. Ou será Paulagoshi?

huummm... vou almoçar.

7.7.03

Obrigada azulcobalto.
Hoje, principalmente hoje, quando anjos e diabos fazem um festim no salão principal da minha alma, o teu "Gosto" foi um sopro balsâmico.
Também Gosto.

Imoral

bom
proceder
mau
prazer
bem
padecer
mal
satisfazer
devo
apreciar
não devo
experimentar
posso
sentir
não posso
convir
quero
abusos
não quero
usos



Não sou moral quando faço o que devo. Mas sim quando me atrevo a fazer o que quero.
(Fernando Savater)

Se alguém vir claramente que lhe convém mais enforcar-se que saborear uma boa comida, então enforque-se e deixe-nos em paz.
(Espinosa)

6.7.03

Cuidado em explicar os teus motivos, especialmente os teus absurdos e bons motivos. Nada mais incrível, insultante, suspeito e estéril que a sincera boa vontade...
... sem máscaras, sem véus, arde perante os olhos dos outros como se já, efectivamente – neste mundo da necessidade – tudo fosse possível.

(Fernando Savater - Sobre Viver)

Primeiro o sentimento é de indignação que se transforma em raiva, depois permanece uma dolorosa decepção pelo leviano julgamento ou comentários impiedosos dos outros.


Sweet intuition

Close your eyes
Listen closely
All that you've learnt
Try to forget it

Fuck logic, fuck logic
Bravo to instinct
And sweet intuition

What makes you tick
Trust your senses
All that you've learnt
Try to forget it

Believe in believing
Believe in instinct
And sweet intuition, honey

And inside
We're all still wet
Longing and yearning
Repeat after me

Fuck logic, fuck logic
Bravo to instinct
And sweet intuition
Sweet intuition
Sweet intuition, honey
Sweet intuition
Sweet intuition, honey


Teria sido perfeito se ambas, eu e a bjork, tivessemos mais quinze centímetros de altura, pelo menos

4.7.03

Sucesso ?????

Vendida aos milhares, a Pílula do Dia Seguinte é um Sucesso! Uma das notícias de abertura do jornal da 09.00h na RTP1.
Fiquei pasma! Sucesso????
O comprimido milagroso, supostamente uma alternativa, está a funcionar como contraceptivo? E estes milhares, são comprados na sua maioria por quem? Adolescentes? Estará a diminuir a venda da pílula (normal) como contraceptivo?
Mas mais preocupante, estarão os adolescentes na sua descoberta da sexualidade, eventualmente com parceiros diferentes, a descurar o uso do preservativo?
Não sou mãe, infelizmente, mas se o fosse, principalmente de um(a) adolescente, hoje mesmo conversaria sobre este assunto.

Quando alguém sonha que está a sonhar aproxima-se o momento de acordar.
(Novalis)

Irrito-me quando isto acontece. Estou irritada.

3.7.03

Provocation, Séduction & Stratégie

À partida um título como este espertaria a curiosidade de algumas criaturas e, convenhamos, tem potencial.
A merda é essa, demasiado potencial para uma amadora, e por muito que me rebole nos lençóis a reflectir sobre o assunto não me satisfaço. Tive suores frios quando acordei a meio da noite com a imagem deste post pendurado com molas de roupa no quiosque lá da rua.

Mas, vamos lá ao que interessa.
À pouco tempo alguém me disse: “para provocadora, não estás nada mal” e rematou, dias mais tarde: “fazes o culto da anti-sedução”.
Sou uma gaja com graça e fiquei a pensar no assunto, está claro. Soava a problema de foro psicológico, a traumas de infância mal resolvidos. Antes de recorrer a assistência especializada optei pela auto medicamentação genérica e sem receita: grupo de amigos de ambos os sexos, revistas da especialidade, masculinas e femininas, e como sou uma rapariga moderna, pesquisa na net.

Medicamento Genérico 1: Os amigos, principalmente elas, falam em ares de malandro, em olhares com brilho especial e em vozes arroucadas. Avisam-me, cuidado, o provocador é um falso sedutor. Eles resumem tudo ao BCOM (boa como o milho) e para não parecerem os esfomeados que são, mordem palavras como o andar especial, o sorriso de uns lábios carnudos e o tal olhar brilhante.

Conclusão Genérico 1: Estou baralhada. Serei uma falsa sedutora? Os amigos, eles, tranquilizam-me, dizendo que tenho hipóteses, mas preciso de me esforçar.
Pois, esperem aí que eu vou ali praticar e já volto. De caminho vou passar pela farmácia e comprar colírio para aguar o olhar.

Medicamento Genérico 2 : Revistas. Era divertido, uma revista unisexo, com os conselhos para ela e as estratégias para ele. Sim, porque a elas dão-se conselhos em extensas listagens de como o seduzir e excitá-lo e a eles ensinam-se estratégias de engate e de como as convencer a experiências não convencionais. Meninas, muito cuidado com a lingerie, devem ter sempre no frigorífico um chantily e mais meia dúzia de acepipes e por favor, façam beicinho. Meninos, que se lixe, vão comprar as revistas que eu já me enervei a ler uma série de patetices sobre o que excita as mulheres.

Conclusão Genérico 2: Ainda baralhada. Mas também irritada. Não percebo, tenho chantily no frigorífico, tenho inclusive groselha e chocolate liquido e mais umas quantas coisas que analiso o seu comportamento fora da boca e cujos resultados posteriormente informarei. A lingerie é, espero eu, suficientemente apetecível para ser desviada. É o beicinho, só pode ser o beicinho.
Pois, esperem aí que eu vou ali praticar e já volto. De caminho vou passar pela loja e comprar um conjuntinho com o fio x, a renda y, de cor h.

Medicamento Genérico 3: Pesquisa na net. Segue a toda a velocidade para as páginas de lingerie, óleos e cremes, massagens eróticas, vibradores e outros artefactos verdadeiramente interessantes, próteses para aumentar, estimular e potencializar armas e escudos, filmes de sexo para todos os tipos de assalto, e inclusive, receitas supostamente afrodisíacas, pois caso nada disto funcione há que agarrá-los pelo estômago, ou em último caso, besuntá-los com aquilo que não quiseram comer.

Conclusão 3. Continuo baralhada. Sem saber se me safo ou não. Mas seguramente estou mais informada.
Pois, esperem ai que eu vou ali praticar e já não volto.

Ah, antes de ir, lembrei-me de dois anúncios, o da Siemens que anuncia um novo modelo de telemóvel e um perfume do Calvin Klein, que juntos daria qualquer coisa como:

Just Be. Don' t Imitate. Inovate. Be Inspired

2.7.03

A igreja de queijo

Era uma vez um rei que tinha o alfabeto cigano. Embrulhou-o numa das folhas de couve, porque naquele tempo não tinham estantes para pousar as coisas, e adormeceu até uma primavera. Veio um burro beber água e comeu as folhas de couve. É por isso que não temos alfabeto.

A menina que ontem me quis ler a sina, tinha uns grandes olhos verdes e os cabelos castanhos claros encaracolados pela sujidade. Os trapos pendurados eram o dobro do seu tamanho e, como todo o seu corpo, estavam maculados. Estranhamente, não insistiu quando lhe disse que não queria saber o que me reservava o futuro.

Olhem lá, quando crucificaram Cristo, ele carregou a cruz até ao Calvário. Pediu água e ninguém lhe deu água. Quando chegou ao cumo do Calvário, juntaram-se uns ciganos. Tinham água e ao aproximarem-se de Cristo, rojaram-se a ele e deram-lhe água. Ele descansou um pouco e reanimou-se. E disse: - Vós Ciganos, tendes a minha benção. Comereis, mas não trabalhareis. E os que virão também comerão mas não trabalharão. Foi a benção que Cristo deu aos Ciganos.

O cigano é uma personagem que a opinião pública, na sua maioria, considera como voluntariamente cerrada no seu mundo e quando dele sai, significa, mendicidade, desacatos e roubos. Eu gosto deste povo que se manteve ao longo de séculos de perseguições, humilhações e escravidão. Gosto dos contos de pobreza, doença e tristeza que no final são sempre compensadas com a bondade divina ou com o poder da magia. Gosto da sua paixão pela música e como ela faz parte do seu dia a dia. Comovo-me com a evidente necessidade que têm em mostrar a hospitalidade cigana.

Os Ciganos construíram uma igreja de pedra e os Sérvios uma de queijo. Quando ficaram prontas resolveram trocá-las. Os Ciganos deram a sua igreja de pedra aos Sérvios e os Sérvios deram a de queijo e mais cinco cêntimos de troco aos Ciganos. Os Ciganos, com fome, começaram imediatamente a comer a igreja, e aos poucos, aos poucos comeram-na toda. É por isso que os Ciganos não têm igreja. Os Sérvios continuam a dever os cinco cêntimos aos Ciganos. É por isso que os Ciganos continuam a pedir os cinco cêntimos a que têm direito.

É assim. Simples.
Mas, sempre com um olho no burro e outro no cigano.

(Contos Populares Ciganos, Diane Tong – Teorema – outras estórias)

1.7.03

Não te deixes endrominar
suspeita
abraça
considera
sente
presume
envolve
acredita
fantasia
avisa
conversa
desvia
aconchega
transforma
matiza
sublima
mas não te deixes endrominar

This page is powered by Blogger. Isn't yours?